Fabulas de Diadema 11: O homem que caia sempre. Fim de semana de sol, o que isso quer dizer? Churrasco de família. Na chácara da tia Fátima, Lucas andava pelo quintal como sempre fazia nestas ocasiões. Brincava com o capitão, o cachorro deles e conversava bem, com todo mundo, como sempre fazia. Um dia festivo como os de sempre. Com as primas na piscina, Lucas fazia suas graças. Cantava moda sertaneja com os tios, fofocava da vida das meninas da sua sala com as tias e ouvia os conselhos de sua avó. Numa das idas ao pomar, ida simples só para colher uma, duas ou TRÊS carambolas direto do pé, escorregou, deu uma cambalhota na grama e sem perceber entrou por um buraco. Ou melhor, entrou pelo cano. Ainda de olhos fechados percebia o barulho do vento passando pelas suas orelhas, achava estranho ventar dentro de um buraco, mas ao abrir percebeu estar em queda livre. Desespero. Lucas espalhafatosamente se estrebuchava e gritava alto sentindo a agonia de um pára-quedista sem céus para contemplar, uma queda direta no escuro. Gritava, agitava os braços, segurava nas raízes em volta mas de nada adiantava. Gritava feito louco. Alto. Alto! Mas reparava que seu destino era sempre para baixo. Sem agüentar mais a tensão desmaia. Abre e o olho depois de minutos e ainda está lá. Desmaia de novo. Depois de uma hora, repara que não saiu do lugar, que dizer, saiu mas o seu destino ainda era para baixo. ... Do lado de fora seus parentes se desesperaram “Onde foi parar o Lucas santo Deus!!” perguntavam-se todos. Depois de algumas pericias da policia descobriam que ele havia caído no buraco. A mídia foi a primeira a aparecer no local com bombástica repercurção em rede nacional. Velas foram acesas em volta do buraco e transmissões com flashs ao vivo da chácara da tia Fátima eram passadas de 5 em 5 minutos. ... Quando já batiam 5 ou 6 desmaios Lucas resolve gritar mais um pouco. Grita. Cai. Grita. Cai. Para de gritar. Mas continua caindo. Sem saber o que fazer dorme. Acorda 8 horas depois. Percebe que seu medo na queda era que logo chegasse o chão, mas o chão nunca chegava. “Deve ser porque estou depois do chão” pensava. Mais ou menos 48 horas depois de sua queda, lhe bate uma incrível vontade de fazer Xixi. Ele se arruma e consegue ficar de pé. Começa a urinar e achou incrível que, ao invés de descer, seu xixi subia. Não estava muito apertado já havia se mijado inteiro nas calças enquanto estava desmaiado. 56 horas depois sente dor de barriga. Defeca e batata! A merda também subia. ... Do lado de lá as pessoas se juntavam em volta do buraco clamando cânticos do menino que desapareceu por colher carambolas. Seus pais estavam desesperados, mas a mídia não. Sabiam por a+b que a cada flash daquela intrigante história as pessoas iriam na frente de seus televisores saber um pouco mais do que estava acontecendo. Pois é, enquanto Lucas caia, a audiência subia. ... Lucas começou a passar fome e se alimentava das raízes que passavam pela sua frente. O problema foi só quando a terra acabou, chegaram os bolções de água logo depois as pedras e, enfim o Pré-sal. ... Já na TV parou-se de falar no Pré-sal, Lucas era mais importante, chegaram a levantar uma estátua de bronze em sua homenagem, bem ao lado do pé de carambolas. O sitio da tia Fátima virou um local de passagem de peregrinos, e malucos que acreditavam nos reptilianos que vivem em baixo da terra. ... E ele caia. Caia. Caia. Até se acostumar tanto com a queda que nem ligava mais. Afinal de contas, 3 anos caindo, quem diria. E Lucas continuou caindo, sem saber onde ia chegar, e no final das contas, nunca soube. ... Do lado de fora, as coisas pararam de acontecer, até a mídia cansou de usar o Buraco e o Lucas pra vender espaços comerciais. Moral da história. Cair na mídia é como cair num buraco sem fundo. Tudo em volta pode ser usado para falar de você, até que chegue o chão, ou então o esquecimento.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 17h53
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Tudo certo. - Alô, Patrício? - Isso, quem é? - Pô, como você não ta reconhecendo rapa!? - Quem é?!! - A,você não sabe, mesmo? - Olha, se você for mesmo meu amigo deve saber que odeio essas brincadeiras de telefone e... Zanon? - Hahahhaha, fala Patrício! - Nossa, ta com a voz diferente, mais encorpada! - É... os anos vão passando e a gente vai ficando mais encorpado, como um bom Wiskey. - Mas vem cá, ta tudo certo? - Ta sim. Tudo tranqüilo. - O gado ta engordando? - Opa. - A pensão ta paga? - Se atrasar, já viu. - O imposto ta pagando direitinho? - Tô sim, parei de sonegar. - Boa! - Boa. - Mas e as crianças, tão na escola? - Tão... tão. - O tanque ta cheio? - Graças a Deus. - A cama ta arrumada? - Sempre. - O celular ta carregado? - Ta sim. - O café ta feitinho, direitinho? - Ta. - A grama, a grama ta cortada? - Todo mês, todo mês. - Então ta tudo certo, né? - Ta tudo certo, ainda bem viu Patrício. Mas e você? - Eu o que? -Ta tudo tranqüilo, tudo certo? - A ta viu, tudo certinho. - A taxa selic ta subindo? - Ta sim, ainda bem. - O DVD ta no aparelho? - Claro. - O testamento ta assinado? - Opa. - A barba ta feita, a pasta de dente ta cheia? - Ainda bem. - Sexo, ta usando camisinha... preservativo? - To sim. - E a mensalidade da Net? - Tudo Ok. - Conta de telefone ta paga? - E deu caro esse mês viu. - O pneu ta calibrado, a internet ta funcionando? - Tudo funcionando, tudo certo. - Então, ta tudo certo mesmo, né? - Ta sim. - Então ta bom Patricio. - Ta certo então Zanon. - Ta tudo certo. - Tudo, tudo... - Então, abraço viu. - Outro pra você também. - Magina é sempre um prazer. - Que é isso, o prazer é meu. Abração. - Abraço Tchau, Tchau.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 14h22
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Fábulas de Diadema 10: A O Zeit Geist da Pilula. 1- Hong Kong. Dez horas da manhã. Falou bom dia ao loro, ele responde com um espirro tímido. Mas como assim? Papagaio espirra? Pensou. Levou ao veterinário. Ele disse: 您的鹦鹉有禽流感。 (legenda: Seu papagaio está com gripe.) 怎么会呢? (Como assim?) 然而,正常的,所有的动物都冷,因为我们 (Ora, normal, todos os animais ficam resfriados, assim como nós) 罚款... ( A, tudo bem...) Pegou a gaiola e saiu pelas ruas. Dois dias depois acordou com coriza e espirrando. Morreu três dias depois. Seus pais o enterraram, era tão jovem, tinha muito pela frente ainda. Uma pena, uma perda. 2- O tempo passou. Não muito tempo, mas passou. E mais e mais pessoas davam bom dia a seus papagaios, eles espirravam, dois dias depois acordavam com coriza, espirrando e morriam 5 dias depois. E a pergunta continuava: mas papagaio espirra? Em Hong Kong morreram 5 individuos, no leste da Rússia ( que é logo ali) 3. Isso, mesmo sem os papagaios se conhecerem, seus donos entrarem em contatos entre si, ou mesmo saber se realmente papagaios espirravam. 3- Pequim – Oito horas da manhã. Um jornalista ficou sabendo da dúvida e saiu pelas perguntando a todos, se papagaios espirravam. Descobriu que ninguém sabia. E descobriu também que ninguém sabia que o espirro do papagaio poderia matar em 5 dias, caso ele realmente existisse. Soltou a pergunta no jornal o qual era âncora, no blog do jornal, no twitter do jornal, nos outros jornais de sua emissora. O jornal recebeu grande audiência. Mas não obteve resposta. No outro dia, soltou a noticia que o espirro do papagaio matava em 5 dias. A audiência triplicou. 3- São Paulo – Meio dia. Um homem acaba de perder o emprego. Disseram a ele que a crise financeira havia afetado a empresa e que era necessário fazer certos sacrifícios para que a empresa continuasse viva, nem que, para isso, fosse necessário o corte de algumas cabeças. Viu seu saldo no banco. Foi ao médico fazer seu exame demissional. A noticia internacional passava na TV do consultório. Rouba 15 máscaras cirúrgicas e vai vendê-las na 25 de março. 4- Genebra – Quatro horas da manhã. Um famoso farmacêutico vê que a crise financeira estava acabando com sua empresa. Vê o noticiário. Liga para seu parceiro político. Isso, aquele mesmo que ajudou a subir na carreira. Hoje preside a OMS. Pergunta a ele se papagaio espirra. “Papagaio niesen?” O outro não sabe. Ich weiß nicht Pergunta se este assiste a TV. “Sie fernsehen?” Ele diz que sim. “Ja” Diz que já sabe como ele pode retribuir o favor do dinheiro investido em sua campanha política. “Ich weiß, wie können Sie mir, dass die Rückzahlung” O outro pergunta como. “Wie?” Diz que é só deixá-lo falar as palavras certas para a TV e que ele deveria apoiá-lo. “Ich brauche nur zu sprechen, die richtigen Worte im Fernsehen, und Sie sollten mich.” O outro diz tudo bem. “Ja” 5- Pequim – Oito da manhã. Jornalista chinês recebe pauta do dia. Vê que jornal suíço disse que o Secretário da OMS disse que o dono de uma grande industria farmacêutica disse que ele, bom, ele não, a sua industria farmacêutica, já possuía o remédio para a conter a gripe do papagaio que assola a humanidade. Na mesma coletiva em que o dono da industria dava a entrevista perguntaram a ele se papagaio espirrava. Nada disse. O Jornalista entra no Ar com face triste, dizendo que a gripe do papagaio já matara milhões. A audiência quadruplica. 6- São Paulo. Três da tarde. As vendas andavam bem. Muito bem. Até o jornal dizer que numa coletiva de imprensa o Secretário da OMS disse que um dono de uma grande industria farmacêutica havia dito que achara o remédio para o gripe do papagaio. O homem fica preocupado. Havia até contratado dois moleques para fazerem mais vendas de máscaras nas ruas da cidade e um para roubá-las dos hospitais. Perdeu tudo. Voltou para a rua da amargura, mas conseguiu emprego numa grande industria farmacêutica internacional dez dias depois. Voltara enfim a ganhar dinheiro honesto, claro. 7- Genebra – Sete da manhã. Com um copo de Uísque e duas maravilhosas mulheres o esperando na cama, ele, o dono da industria farmacêutica, vê que suas ações subiram. 8- Mundo – Vários horários. Todos já estão a salvo da gripe do papagaio. Menos os papagaios, os quais sofreram altas represarias em sua espécie durante o período. Porém ganharam muita fama, isso porque todas as represarias foram filmadas. 9- Genebra – Sete da manhã. Dono da industria acorda cedo. Liga para seu agente bancário. O gerente liga para um banco nos EUA. Pega dinheiro emprestado para pagar funcionários do mundo inteiro que produziram em excesso a Pílula para a gripe papagaia. A empresa vai a falência. 10- Washington – Uma da tarde. Banqueiros descabelam-se por não receberem o dinheiro da industria farmacêutica falida. Bancos abrem concordata. 11- São Paulo – Cinco da Tarde. Homem está sentado na frente da TV de um consultório médico para fazer seu exame demissional. Foi demitido devido a crise dos bancos. Rouba 5 máscaras cirúrgicas, só para se garantir. Moral da história. Ainda não sabem se papagaio espirra. Mas já descobriram que a doença é o remédio da economia.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 15h49
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Antigamente, pai e filho, tinham um costume peculiar das cidades do interior de São Paulo: esperar uma bela hora do dia, parar o carro na estrada, sacar de um canivete e descascar uma saborosa laranja, que às vezes era meio verde, meio amarelada ou mesmo meio marrom. Com o tempo isso foi acabando, principalmente com o advento dos agrotóxicos e a mídia realizando alertas sobre envenenamento por simplesmente ter um costume. (Relato de não se sabe onde) Fabulas de Diadema 9: A Industria invisível. Em meados de tempo algum, num futuro não muito distante, se não me engano, dois homens aparentando meia idade, Peixinho(37) e Peixão(62) mais conhecidos como pai e filho, pararam em frente a uma loja de TVs. Rolava Michael Jackson no radinho do estabelecimento. As TVs mostravam um reclame de laranjas. Publicidade interessante. Tudo parecia um filme onde pai e filho andavam pela estrada, como as vicinais do interior do estado de SP. Saíam do carro. Paravam num pomar qualquer e colhiam uma deliciosa laranja. Sim, uma laranja. Isso porque era uma propaganda de Laranjas. Ele dizia, “olha filho, aqui existe uma laranja pura.” “É mesmo pai?” “É mesmo, não possui agrotóxicos, e é aprovada pela indústria invisível.” “Ela, não tem nada mesmo?” “Nada, nem uma gota de veneno, nada. Feita completamente da terra, a mais pura terra” Entrava uma animação bonita em tons pasteis. Fechava num logotipo. Peixe e Peixão se entreolham. “Essa industria invisível é foda”Diz o mais novo. "É meu filho, quando eu era jovem ela ganhava dinheiro por envenenar todo mundo, agora por tirar esse veneno." “Alias faz tempo que a gente num faz isso né?” “É...” Moral da história: Mais informações... Eu não sei.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 12h54
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Fábulas de Diadema 8: The Michael Conspiracy. Som de música pesada ao fundo. Entra ator vestindo roupas brilhantes. Muito pó e pomada branca na cara. Ele grita. Alto. E usa luva brilhantes numa única mão. Por que? Não sei. Quando grita leva a mão ao coração e cai no chão. O chão faz um barulho de que algo caiu nele. Algo ou alguém. Ator. Uooowwwwwwww Ú Ú. Í. Chão. Clatum. Entram homem vestindo jaleco e estetoscópio. Ele olha aquilo. Sinaliza com a cabeça. Pega o telefone. O telefone possui voz de adolescente. Doutor. Tem um cara morto aqui. Telefone. Quem? Doutor. Se eu disser você vai achar que é trote. Telefone. A calaboca. Doutor. Ta. Mas esse corpo vai feder. Telefone. É verdade, mas quem matou? Doutor. Foi infarto do miocárdio. Telefone. Caramba, justo desse tal ai? Doutor. Pra você ver. Telefone. Ta bom, estou enviando o carregador. Telefone vira-se para a direita e grita. Alto. Telefone. Pepe! Vai lá pra terra do nunca pega o Menião. Pepe. Ô loco! Telefone. Pra você ver. Telefone. Não sei. Mas acho que tem coisa ai. Pepe. Por que? Telefone. Não sei.O meninão sempre foi criança. E criança num morre cedo na América. Pepe. Verdade. Pepe atravessa a cena e chega na casa. Música ambiente. Com toque ambientalista. Musica. "Think about the generations and they say: We want to make it a better place for our children and our children's children. So that they know it's a better world for them; and think if they can make it a better place." Uma seringa entra em cena e fala para o Pepe. Seringa. Opa. Pepe. Opa. Pepe olha para o médico e pergunta. Pepe. Mas como ele morreu? Doutor. Foi infarto do miocárdio. Pepe. Caramba, justo desse tal ai? Doutor. Pra você ver. A seringa acena com as mãos. Ela mostra que diz que não. Seringa. ........ Entra homem de repente e fala. Homem. Eu sou o pai. Homem e médico olham um na cara do outro, viram-se e dão um belo abraço com muitos tapas nas costas. Pepe se revela. Mostra sua carteira da polícia federal e diz que vai levar a seringa para interrogatório. Pepe. Você, venha comigo. Todos juntos. Eu? Pepe. Não sei. Pai, médico e seringa saem de cena. Entram três remédios. Remédio 1. Você viu? Remédio 2. O que? Remédio 1. Acabaram de levar todo mundo para a delegacia. Remédio 3. Por que? Remédio 1. A perna dele valia muita grana. Remédio 2. O que??? Remédio 1. A, com os contratos dos últimos shows e a fragilidade dele resolveram fazer seguro da perna. Remédio 3. Por que? Remédio 1. Não sei. Não sei. Mas disseram que compraram vocês dois aí para usar de pano de fundo. Remédio 2. O queeee????? Remédio 1. É... vocês chegaram ontem, e já foram quase completamente usados pelo Homem e o Médico. Remédio 3. Por que? Remédio 1. Não sei... Talvez o seguro. De repente aparece a seringa algemada.Faz uma pergunta ao Remédio 1. Seringa. Mas por que não intimaram você? Remédio 1. Deve ser porque sou apenas o anticoncepcional dele. Entra a moral da história segurando um pôster do Michael e um pôster do Papa. Moral da história. O Papa é Pop, o Pop é Papa. Deve ser por isso que falecem com a mesma finalidade.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 10h54
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Fábulas de Diadema 7: Um Pedacinho dos U.S.A. Tal qual o peixe, o homem também é fisgado pela boca. E foi pensando nisso que os países lá de cima inventaram o que? O Hambúrguer. Quando relembramos nossas primeiras fazes da psicanálise, segundo Freud, metemos a boca em tudo e é assim que os EUA nos fazem aceitá-los de uma maneira amigável: fornecendo, do jeito mais delicioso possível, as maravilhas do pão e circo, ou seja, os hambúrgueres e suas deliciosas instalações. Você sabe, uma conquista não é feita só de charme, tem que ter aquele gostinho a mais, especial, e por que não dizer então que ele já vem no molho? Isso me lembra a história de um empresário, que, como muitos no Brasil, principalmente os da TV, começaram a vida como palhaço. Ronaldo era seu nome, se não me engano. E como nenhum palhaço é bobo, Ronaldo foi fazer faculdade de direito. Descobriu aí a sua vocação quando estudou a política romana e, junto com ela, todas as facilidades do nosso querido pão e circo. Com as regalias da faculdade Ronaldo conseguiu realizar um intercâmbio, e batata! As coisas começaram a mudar. Foi para os EUA e acabou conhecendo um homem muito importante, não era político, mas fazia parte de grandes seitas religiosas e cultos pagãos, seu nome era Wallt, ou o Ratão. Wallt era dono de um enorme parque de diversões na costa oeste dos EUA, adorava crianças, pois sabia que elas seriam ótimos consumidores dos seus produtos no futuro e passariam esta tradição das compras de geração em geração tal qual o dia de ação de graças. Walt ensinou a Ronaldo seus ofícios em troca de uma viagem a seu país de origem, sempre quis conhecer o Brasil e sua capital Rio de Janeiro. Conheceu Natal, ficou encantado com as maravilhas do Cristo Redentor, conheceu as mulatas de Salvador e ficou estupefato com a cidade de São Paulo. Pensou estar no paraíso, não por causa da beleza do Brasil, e sim pela quantidade de locais com nomes de santo. Então, antes de partir, virou-se para Ronaldo e disse: - Como você sabe, Ronaldo, sou parte do programa americano de alguma coisa. - Como assim “de alguma coisa”? - É um assunto tão confidencial que nem eu mesmo sei ao certo o que é, mas enfim. Tenho este parque que serve de fachada para estudos da CIA. - Estudos da CIA??? Pergunta Ronaldo surpreso. - Exatamente. Estamos agora trabalhando uma formula infalível de fisgar o mundo inteiro pela boca utilizando um artifício que se chama Hamburguer, conhece? - Nunca ouvi falar... responde Ronaldo. - Pois bem, é um alimento delicioso e fantástico que, a cada mordida deixa as pessoas mais encantadas com o meu país. – Diz Wallt, o rato, com cara de megalomaníaco. - Nossa, que coisa estranha Walt! - E eu ainda transferirei para as lojas o ritmo feliz e as canções lindas do meu parque, a gente descobriu que, quanto mais feliz forem, mais fáceis os seres humanos são dominados, dão opiniões a respeito de um único lado e fazem o que este lado deseja. E gostaria de chamar você para trabalhar com a gente. - Meu deus Walt, isso é um absurdo! Como você me chamar para fazer parte de eu patifar... - Você vai ganhar muito dinheiro, mas muito dinheiro mesmo my friend. - Onde eu assino? E foi assim que Ronaldo, o palhaço, trocou seu nome para Ronald e abriu a primeira loja de fast food no Brasil, injetando capital no bolso e lanche rápido no brasileiro. Moral da história. Fiquem espertos por que até o sertão virar mar, o Brasil já virou USA.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 16h51
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Como que você faz? Uma vez a rima rica Perguntou a rima pobre, sem drama, “Quanto que é o programa?” Então a rima probre respondeu: “Para você amigão, é só cincão.” Recebeu a grana E meteram muito. Dia e noite, Noite e dia. Na porta do estádio, Na frente da padaria Para 9 meses depois, darem luz a minha poesia.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h52
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Fabulas de Diadema 6: O cérebro, o útero e a corrida espacial. Tudo nessa vida é por causa de um “Oh my god” no final. Seja na igreja, em casa, no bordel ou no motel. No senado, Eles lá de cima buscam também um “Oh my god”, mas preferem falar isso diretamente na cara de Deus. A muito tempo atrás, ouvi um índio Pataxó, das tribos de Cabrobó, plantadores de Chuchu, contar uma história dos tempos do Brasil colônia, mais precisamente, mil novecentos e sessenta e guaraná de rolha, se não me engano. Esta história narrava as facetas de uma nobre senhora americana, mais conhecida como MRS. Nixon, ou seja, Moça Reforçadamente Sensual Nixon. Vocês podem procurar a foto dela Google e dizer “gente, este cara tá pirando, esta senhora é velha, meu Deus,o que ele está falando?” mas, digo humildemente, não é esta a MRS. Nixon, esta que está na web é sim a Pat Nixon, MRS. é uma obra um pouco maior, obra da CIA, tal qual a queda do WTC que possuía um alto/auto poder de atenção, um robô revolucionário, precursor do livro “Homem Bicentenário”. Pois bem, entre uma tragada e outra, nosso querido índio falava que MRS. Nixon vivia numa nobre mansão nos EUA, cercada por homens engravatados e que adoravam ouvir noticias internas em fones de ouvido. Freqüentavam ativamente cassinos, pois, assim como os russos, adoravam uma roleta. Amante de arte, e assídua compradora de móveis MRS. era o xodó do marido, que se embriagava com seu cheiro magnífico e adorava se deleitar em meio as suas carnes. Carnes americanas são sempre de ótima qualidade, inclusive as dos fast foods produzidas pela MRS. McDonalds, mas esta é outra história. Numa de suas compras MRS viu que sua amiga russa de infância possuíra uma obra de metal retorcido vindo diretamente do espaço “isso é coisa do super man” pensou primariamente, mas desistiu deste pensamento lembrando que o super-herói nunca existiu. Obrigou o marido fornecer-lhe tal material, mas este disse que não conseguiria dar-lhe coisa caída dos céus, e depois de efetivar alguns exercícios da dança hipnótica dos grandes lábios e dominar a cabeça do pobre Mr. conseguiu o que tanto queria, ou melhor, conseguiu o meio de atingir o seu objetivo. Pois é, foi ai criada a NASA. Muitos metais começaram a aparecer para completar a sua coleção, e com isso sua grande amiga russa, querendo sempre superar sua companheira, deixando a flor da pele o extinto feminino, também obrigara seu marido a planejar um método de conseguir obras de arte vindas diretamente do espaço. A história termina de modo trágico, quando ambas encontram-se em Aspem para ver qual possui o maior anel de urânio, porém, devido ao câncer, apenas os juízes da partida e as mãos decepadas das mulheres apareceram no local combinado. Moral da história. Quando as pernas se abrem, meu amigo, o show começa! Ó my God!
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 16h54
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Fabulas de Diadema 5: A maior franquia do Brasil As coisas mudaram um pouco da idade média para cá, como exemplo os carros, agora é muito mais fácil chegar a algum lugar. O interessante é que tudo continua a mesma coisa, as mesmas crenças, as mesmas pessoas, as mesmas opiniões, a única coisa que mudou foi a tecnologia e com a ela, a velocidade. Quanto mais rápido se tem alguma coisa, mas rápido ela se conclui. E com a fé é a mesma coisa. Uma vez vi um homem de barba, chamava Hedir Mâncebo se não me engano. Resolveu abrir a franquia mais rápida, com investimento mínimo e alta velocidade de retorno, o “McFé! - Entre e chegue mais perto do reino de Deus”. Um negócio revolucionário, que dividia seus produtos em números para aumentar a velocidade no giro de público. N° 1 - Seção descarrego. N° 2 - Tá amarrado! N° 3 - Milagres. N° 4 - Pagamento de parcelas para terreno no céu. N° 5 - Senha para o internet Fé Banking para Transferências de Capital Divino. N° 6 - Café com o Bispo, um programa onde você pergunta, Deus responde. N° 7 - Aleluia irmão sem crise! Solte o verbo. N° 8 - Pagamento de direitos autorais para o uso do termo “Em nome de Jesus” N° 9 - Meu time do coração vai para a segunda divisão, o que fazer? E o melhor de tudo, não precisa de renda, quem quiser é só chegar e estar disposto a comprar uns produtinhos quando tiver vontade. Aqui você não paga para entrar, nem para sair. Mas se tiver a ambição de ser salvo, a instituição McFé possui pacotes sob medida: basta vestir um terno, colocar uma agenda em baixo do braço e sair gritando os nomes dos nossos produtos em praça pública! “Agente te ajuda e você ajuda a gente!” Ainda bem que na idade média ainda não tinham descoberto o termo Franchising, mesmo porque nos EUA ainda viviam apenas índios, mas tudo é uma questão de tempo. Moral da história: Lutero deve se revirar no túmulo! Mas isso o pacote número 2 explica porque não acontece.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h06
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O Fim do mundo. Agarrado pela pedra dos escombros do segundo ou terceiro quarteirão, viu que não sabia mais qual era o segundo ou terceiro quarteirão. Olhou a mão de um ou outro cara entre as rochas de concreto e sentiu um cheiro no ar. Olhou para o lado e não entendeu muito bem. Encontrou seu amigo de infância procurando a filha pela rua também atordoado: - Pô cara, você viu meu beicinho? - Sua filha? - É. - Pô cara, não vi... Eu tava ali dentro do banco, pagando conta. - É... eu tava com ela ali no parque. - Pô cara, onde a gente ta? - Que? Quando falou isso achou estranha a reação da rua, que não parecia muito mais uma rua, mas, na realidade, parecia um pouco com um ator de cinema que ele não lembrava muito bem quem era, ou apenas parecia. Mais nada... Olhou para aquilo que retribuiu o olhar com uma piscada e pediu para que o seguisse. Na realidade não disse nada, os dois nem sabiam direito se realmente ele tinha dito ou feito alguma coisa, mas o seguiram... Entraram numa loja de lingeries que ainda estava intacta, só sobraram em volta um pouco de pedra e concreto esverdeado. Aquilo os levou ao cume máximo das montanhas que reluziam ao longe, tão longe que quase não se via, mas se via, principalmente se você estivesse de binóculos, ai sim via... certeza... E os muros se levantaram falando aos ouvidos da rua, que no momento parecia o Fredy Mercury, interessante... ele fazia o Moonwalker, que as coisas iam de mal a pior... - Haja visto o estado das coisas, disse um. - Haja visto... Depois de uma longa conversa o muro chegou num consenso. E a rua, agora avenida, mais crescida e adulta disse: - Infelizmente meuxxx queriduxxx... Agora o ator que ele não se lembrava quem era usava um terno e um chapéu meio malandro. ... acho que voceix se fuderam? - Por que? - Voceix não viram? - O que? - Não viram meismo, meux amigux? - Não... - O fim do mundo? Não viram porra?
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h28
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Fábula de Diadema 4: Um conto de Natal. No Natal a cidade se enfeita. Luzes piscam, mostrando ao asfalto que a época mais esperada do ano está chegando. Tudo brilha, a cidade se ilumina, os corações ficam mais próximos. As lâmpadas são a única anunciação não sonora de algo está chegando a todo vapor, e este algo é o Natal. As lâmpadas de uma árvore são as mais lembradas, vistosas, bonitas e adoradas, pois ficam fora dos muros e das grades que cercam as nossas belas casas. Oh, quanta formosura! Casas belas, lâmpadas e eletricidade gasta a toa. Se o espírito do natal fosse verdadeiro nós pouparíamos energia e não gastaríamos mais. Mas do que não é feito o nosso espírito natalino a não ser de gastos adicionais? Enfim... um lapso de poder... E, como tudo no Natal toma vida, até a bondade toma vida, vocês sabiam que, na realidade, graças à eletricidade gasta e ao trabalho dos vizinhos, pedreiros, serventes de escola, marceneiros desempregados, ajudantes etc. as lâmpadas, todo os natais, também ganham vida? Pois é... Vida... No natal... ... as lâmpadas acendem, e conversam umas com as outras, falando de tudo que o natal é para cada uma... Agora imaginem-se aproximando bem devagarzinho de uma grande seqüência de lâmpadas enroladas numa linda arvore, bem próxima a guia da rua, para conseguirmos escutar o que cada uma fala. Imaginem... 1- Conversa entre duas lâmpadas. - Meniiina, você viu que a lâmpada do 14 engravidou? - Qual a verde? Tava na hora já também, né? - Não, não, a azul esmeralda! -Mentiiira, a mais nova? Você só pode tá brincando comigo!!! - Pois é, foi com o laranja turquesa do 15°, acredita...? - O que fica em em cima dela? - Exato!!! - A eu sabia já! - Nossa esse mundo ta mesmo perdido! 2- Conversa entre doía lâmpados. - Pô cara, vou falar pro filho do cara do 34 parar de tocar bateria... tá foda... - É acho melhor a gente falar isso no conselho com o síndico na terça, o que você acha? - Acho bom... acho bom... Não consigo dormir a tarde. - Mas cara, você vai privar um menino do seu sonho? E o futuro dele? - Você acha que ele pode se tornar aquelas lâmpadas sofisticadas que tocam aquela música de natal irritante? - É! - Então é melhor parar agora mesmo! 3- Conversa entre duas lampadinhas adolescentes. -É impressão minha ou o azuladinho do 48 tá que tá atrás de você, hein? - Ai para sua boba! - Verdade... você viu como ele ta mais azul este ano? - Ai eu vi!!! (gritinhos e movimentos com as mãos parecendo que prenderam os dedos na porta do carro) 4- Conversa entre duas lampadinhas crianças. - Meu, você viu o Max Stell que o cara do 13 comprou? - Eu vi cara, demais! - De maaaaissss! - Vou pedir um pro Vagalume Noel! - Eu também!!! - Yeeessss!!! Moral da História: 5 gravatas conversam Gravata 1 fala - Ai você viu as emenda que o gravata borboleta fez? Gravata 2 fala - Nossa achei um absurdo... Gravata 3 fala - Ai também... Gravata 4 fala - Também... Gravata 5 fala - Tá legal, vamos agora o mais importante: caviar russo ou chileno. Todos juntos - Russo, né?
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 15h46
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Fábulas de Diadema 3: Um conto infantil.
Papai Noel nasceu no pólo norte a 1.500 anos atrás, isso mesmo, 500 anos depois do nascimento de cristo.
Impressionante como o universo conspira de 500 em 500 anos, não é? 1500 anos depois a maior conspiração de todas aconteceu: o descobrimento do Brasil.
Mas enfim. Papai Noel era filho de fazendeiro, um homem muito rico que criava Cervos. Além de uma ótima carne, os cervos são resistentes ao frio do Ártico e são muito fáceis de ser alimentados, além, é claro, de servirem de transporte, vestimenta, consolo e boneca inflável (caro leitor, se for encabeçar o sono de seu filho com este texto, por favor, pule esta última parte).
Depois de passar sua adolescência, namorar, casar e possuir filhos, Papai Noel, que foi conhecido também como Bebê Noel, Menino Noel, Adolescentes Noel, Aborrecente Noel, Jovem-cheio-de-espinhas-na-cara-noel e, enfim, depois de sua mulher dar a luz a um menino, Papai Noel, resolveu passear pelo mundo e conhecer tudo que o "além do oceano" poderia oferecer.
Saiu de viagem e ficou 2 anos fora, conhecendo lugares que vão do Yapoque ao Chauí do mundo. Conheceu tudo. Todas as igualdades da Terra e suas desigualdades. Começou a conhecer as guerras, os males, as DSTs num posto de saúde, a Malária, fez exame para ver se havia pegado AIDS, conheceu uma Porto-Riquenha, foi assaltado, correu pelado na praça da República, deu de comer a um pobre. Conheceu orfanatos. Foi visto no Bahamas. Fez tudo isso.
Voltou para casa, para rever o filho e a esposa que tanto amava. Vivia escrevendo para eles e que diziam estar tudo bem. Só sua esposa que lembrava e deslembrava seus momentos íntimos.
Porém, tudo havia sido mudado. Seu pai estava doente e cria de cervos estava acabando. Ninguém cuidava mais da fazenda. A miséria estava dominando seu povo. Neste momento achou que tudo estava perdido.
Num sonho, viu-se caindo, como aqueles sonhos normais, que todo mundo sonha, mas de repente viu-se voando. Daí teve uma idéia: porque não fazer como aqueles caras estranhos, vestindo uma cueca por cima da calça, que vira no Afeganistão, e começar a distribuir comida aos pobres da sua terra? Obviamente começando pela sua família. Vestiu seu manto verde e colocou um gorro que comprou dos Maias.
Pegou seus servos mais fortes e amarrou-os naquele trenó velho que seu pai havia dado quando completara 18 anos. Começou a correr e distribuir sua carne, sempre ensinando aos seus convivas que era necessário conservar a carne e dividi-la uns com os outros.
Naquele tempo ainda não havia cobiça naquele condado, ao contrário do resto do mundo.
Quando Papai Noel, agora já Vovô, viu que não precisava mais avisar ninguém do que fazer com sua carne, descansou em paz.
Sua cerimônia foi linda, foi enterrado como um verdadeiro espírito de bondade. Discursos lágrimas, sorrisos e flores foram despejadas em seu leito. Até que, enquanto assistia sua passagem do lado de fora, uma fada com asas de pássaro perguntou a ele.
- Papai Noel.... - O que? - Você pode seguir e conhecer o outro lado da vida ou prefere continuar na Terra e virar o espírito desta coisa maravilhosa que você está construindo?
- Se eu quiser seguir, este mundo que criei vai morrer? - Essa é a lei, não? Se você não cuida, uma hora morre.
E na maior das boas intenções, papai Noel resolveu abdicar da sua vida "do outro lado" e fazer o espírito Natalino.
Moral da História:
Papai Noel acabou ficando corrompido pelo mundo inteiro, fez negócios com os outros Deuses da Terra e inventou o capitalismo.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h35
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Sin City Brasileiro. “Parece que seu cheiro de bacalhau ainda permanece em meus dedos.” “Quando chego no Capão Redondo lembro da nossa infância nos becos do morro.” “Ninguém mais, fora eu, sabia os prazeres que aquela boca fazia quando ficava sem dentadura” “E agora está morta, esquartejada nesta cama maltrapilha cheia de bolor, suor e saudade.” “Naquela tarde esperava seu telefonema, mas o único que recebi foi do necrotério. Acharam sua carcaça, nova como veludo, espalhada por todo seu apartamento.” “Vou descobrir quem fez isso com você Craudete, nem que seja a última coisa que eu faça na vida.” “Não que a vida valha muito, principalmente quando se vive no subúrbio. Aqui, a vida acaba valendo só alguns papelotes de cocaína.” “Uma coisa tão porca quanto as ruas. Tão suína quanto aquela tapioca requentada que vendem na praça do centro.” “Começo a perguntar para alguns mendigos se sabem da vida que Claudete estava levando...” “Descubro que começou a penhorar a dentadura para cobrir gastos com drogas.” “Droga, o pior é saber que muito mais pessoas sabem o que aquelas gengivas puderosas sabiam fazer” “Mas eu ti amu Craudete, e vou descobrir quem talhou sua corcunda com aquela faca Tramontina de cortar pão. Vou descobrir.” “Pergunto para alguns aviõezinhos que me pedem pirulitos em troca de informações. Sabe como é, criança que tem muita droga na mão e no nariz, sente falta de um doce de vez em quando.” “Me dizem que sempre a viam sair de casa com o dono do açougue ‘Miúdos a preços miúdos’ e vou até lá interrogá-lo.” “Vejo um homem gordo e careca com um avental manchado de sangue e uma cara de quem comeu coisa estragada a vida toda. A mesma cara que fazia quando saia com Craudate. Mas mesmo assim eu a amava.” “Ele segurava uma faca de pão, disse que era melhor para cortar carne. Que este tipo de faca não só corta como tambem rasga a carne e espalha seu sangue. Disse isso com sangue nos olhos, por que havia acabado de cortar um boi.” “Juntei A+B nesta pergunta e joguei sua cabeça dentro do pote de chouriço, para que morresse afogado dentro do sangue que tanto amava.” “Mas infelizmente, Craudineti, irmã gêmea de Craudeti, me apunhalou pelas costas, soltei a cabeça do gordo e cai no chão estatelado.” “Enquanto apagava e começava a ver de novo aquele lindo paraíso que era o meu sertão da Bahia quando pequeno , ouvia uma voz dizendo ao fundo.” - Fui eu quem matou aquela rapariga fi duma ronquifuça, oxi! - Queria tirá meu macho de mim, só pq num tinha metadi dus denti e eu tenho todos direitim.
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 14h49
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O Anjo. Igreja da Sé. 10h40 da manhã. - Pois é padre esse negócio está me incomodando já. - O que meu filho? - Esse lance de anjo pra cá, anjo para lá... - Mas como assim? Por que você não gosta que te chamem de anjo? Esse seu dom é uma dádiva. O senhor olhou para você, para sua alma e fez de você um ícone! - Ícone de que? - De bondade. Luz. Ajuda. - Mas minha mãe cometeu um pecado. - Qual...? - Transar com um animal. - O que? Novo título: O Homem Pomba! - Vou te contar a história padre, mas não me julgue, por favor. “Quando nasci, o parto foi normal, apesar da posição de cócoras de minha mãe” “Meu pai, ou bicho de estimação, morreu logo depois com uma estilingada na cabeça. Não tive tempo de conhecê-lo” “Quando o médico foi me dar o famoso tapinha na bunda acabou lascando um pedaço do ovo onde fui realmente concebido, assim passei o primeiro mês de vida numa incubadora.” “Os médicos ficaram surpresos com o acontecimento e o exército quis me adotar, mas a bondade da minha mãe e a ajuda dos direitos humanos, que desta vez serviram para alguma coisa, me deixaram ser criado em baixo da asa de minha mãe, apesar dela não ter asas.” “No início foi fácil esconder minhas penas, mas, depois da puberdade, ela começaram a crescer, crescer e se desenvolver” “Comecei a ter aulas particulares em casa.” “A parte boa da vida foi quando comecei a voar e mostrar para todos porque vim ao mundo, mas, de lá para cá, depois de assistir filmes de super heróis e colecionar quadrinhos, resolvi dar uma força para a polícia, acabei me injuriando” “’ Mas você é um anjo!!!’ diziam as pessoas ‘não, eu sou metade pomba, só isso’ respondia, e meu peito para frente não me deixava negar.’” - Entendo meu filho... entendo. Meu primo também tem um problema assim... - Qual? - Ele é careta, mas não por que não gosta de beber e ir a festas, mas porque sofreu um AVC que paralisou seu rosto... - Hmm... É isso mesmo. - Mas uma coisa posso te dizer, meu querido... As pessoas às vezes não entendem, e tentar fazer as coisas mais inteligíveis é o papel de algumas na vida. - Mas e o resto das coisas? Saneamento básico, política, vidas em jogo, ETC? Porque não fazem isso ser mais inteligível? - Por que isso elas não entendem, vivem em seu mundo. Mas o pecado de sua mãe pode ser um ótimo motivo para você sair voando por ai consertando coisas. - Hmm pode ser uma boa... Uma boa...
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 14h46
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O narrador Adão.
O parto ocorreu de forma normal. Tava lá, a mãe de pernas para o ar e o ginecologista dando tapinhas nas nadeguinhas da criancinha. Nasceu Adão. Nu. Pelado. Obviamente como todo mundo veio ao mundo. E por ser amante do mundo viveu assim. Nu. Pelado.
Naquela época o naturalismo era coisa de gente futurista, uma vergonha, chegava até ser temido na alta, baixa e anã sociedade. Mas Adão não era naturalista, isto o deixava puto. Resolveu viver com uma folha para tampar suas partes. Mas essa idéia só veio depois da puberdade, aliás uma época complicada: Adão vivia trocando a folha de tamanho.
Sua vida estava bem até a hora de virar homem e procurar um emprego. Tentou ser vendedor de perfumes, mas era alérgico, teve até que tomar Fenergan na veia um dia. Coisa terrível. Tudo inchou, não havia folha que agüentasse o tamanho daquele inchaço. Mas esse era o menor dos problemas. Seu chefe o despediu em dois dias de trabalho, só Havia sido contratado porque a gerente, uma cinquentona divorciada e sem filhos adorava vê-lo trocando de folhas.
Tentou virar engenheiro, mas o expulsaram de todas as faculdade. Foi expulso das presbiterianas, das pontifícias católicas, das pentecostais, das públicas, das repúblicas.
Foi acusado de atentado ao pudor diversas vezes, principalmente quando chegava numa entrevista de emprego. Nas dinâmicas de grupo era motivo de risadas.
Não tinha dinheiro para comprar um carro.
Conheceu Lúcio quando tinha 21 anos, naquela época, sua voz já havia passado das turbulências normais da puberdade. Tinha um gogó arrasador, o que lhe rendeu 2 meses de trabalho como Telemarketing, mas foi expulso do trabalho quando o presidente da empresa foi visitar o seu departamento.
O Pai de Lúcio era dono de uma famosa rádio na metrópole e como vivia neste mundo artístico e já vira muita gente pelada na época em que fazia curso de teatro na escola de Zé Celso, não deu nem atenção à folha, e vendo aquele maravilhoso timbre chamou-o para um teste como radialista.
Sucesso absoluto.
A mulherada não acreditava nas loucuras que aquela folha poderia fazer na frente de um microfone. Rendeu rios de dinheiro em merchandising para a rádio. Demonstrou potencial dentro e fora dos estúdios doando milhares de folhas para os descamisados.
“Quem não tem camisa, use folha!!” Dizia para todos.
Conquistou público, foi conquistado várias vezes pelos mais infindáveis tipos de mulher.
Até que rolou aquele lance todo de transplante de costela e se apaixonou profundamente pela sua transplantada.
Hoje tem 50 anos, sócio do pai de Lúcio e padrinho de seu filho.
- E a folha? – pergunta um menino.
- Ta lá com ele.
- Que bela história tio Adão.
- Pois é.
“E terminamos agora mais um programa meus queridos. Amanhã teremos mais narrações aqui na sua rádio couve-flor.”
Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h18
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