A verdade às vezes está no que você não consegue entender.


Fábulas de Diadema 12: Roma high definition. Passado o aqueduto, Jackmilius entrou a primeira à direita dando de frente ao Coliseu. Já passavam das 6 da tarde e estava atrasado para seu horário na barbearia do seu Tônicus. Entrou, o sino da porta tocou, todos olharam de sobressalto farfalhando seus jornais. “Naquele tempo a tecnologia era incrível”, dizem hoje. - Milius! Já passou um mês? O tempo anda voando hein! - Para o senhor ver seu Tônicus. A quantas anda? - A CXX por hora! - Ô maravilha. - Sente aqui, vamos cortas esse cabelo... O de sempre? - Sim, mas sem esta piadinha de podar na frente pica atrás... o senhor não tem mais idade hahahaha. - Olha o respeito.. hahahahaha. De repente um homem que sentava ao fundo se levanta, caminha até o Jackmillius olha com cara séria e lhe dá uma moeda de prata. - Perdi de novo! - A seu Malakimilius, é só ler os jornais, o Meganus é o melhor! - Mas fiquei sabendo que quebrou a perna. - Como assim? Quebrou mesmo? E esta moeda? - Estou lhe dando o dinheiro da nossa ultima aposta... não tem ido ao coliseu? - Ah sim, agora me lembro. Então, há tempos não dou as barbas por lá - Pelas barbas do profeta. - Mas Alexandre tinha barbas? - Olha Milius, eu não sei... Mas as barbas do Profeta, o escravo mais rápido e destemido que o coliseu já viu, esta sim... que força... quanto vigor. - Ora seu Tônicus, não acho que ele sej... - Quer apostar esta moeda de prata? - Amanha ele luta contra quem? - Dois leões e Cinco tigres. - de bengala? - De bengala sim... - Cacete... - Para você ver... - Prontinho Jack já pode ir. - Bom gente vou para casa. Amanha volto trazendo as noticias do Coliseu. - Tá certo! E não gaste esta moeda... Amanha ela será minha novamente! Jackmilius abre novamente a porta da barbearia do seu Tônicos e segue rumo sua casa. Repara que a cidade está em festa devido a seqüência memorável de vitórias que o tal profeta vem mantendo. Diziam até que Meganus está ansioso para voltar e acabar com a raça desse profetinha lazarento, e Milius, claro, concorda com isso. Afinal Meganus é o melhor. Passou por alguns pôsteres do tal Profeta colados nas muralhas da cidade. Era interessante, um magro escravo barbudo, com um triangulo na cabeça e flutuando no ar com poses de Gandhi. Olhou ao lado, o pôster do seu grande herói, empunhando uma lustrosa espada tipicamente romana e um olhar de soberba que só os romanos do alto escalão da época, o alto clero da idade media e as celebridades políticas possuem. Parou para admirar o colossal coliseu, virou novamente no aquetudo, e foi andando para casa. Ao entrar em casa ouve sua mãe, uma daquelas velhas senhoras italianas que já vem com megafone de fábrica instalado na boca, bradar com seu pai: - Mas esse imperador Julius Ludus tá avacalhando com o pão hein? Olha que porcaria! Tá duro que nem um pau! - Amor, meu grande amor, se o estado te dá, quem é você pra reclama? - Eu sou a merda de pessoa que vai comer essa porcaria de pão porque você não trabalha! Fica o dia inteiro enfurnado naquele coliseu e acha que trazer pão todo dia é a solução para os nossos problemas. - Amor, meu grande amor, se o estado me dá, quem sou eu pra reclama? - Você é um pai de família... Olha o exemplo que tá dando pro seu filho! Tá loco, Jesus, tá loco! - Amor meu grande amor... sabe por que confio tanto no estado? -Por que? - Por que ele não me deu você! Quando Milius intervem. - Pai... Mãe... Ganhei uma aposta... -Eu bem disse, olha o exemplo... - Amor, meu grande amor... eu dou exemplo de sagacidade e amor ao esporte, não é fantástico???? - Ao esporte ou aos tostões que ele gera? Esse mundo tá perdido Jesus! Todo mundo só pensa em dinheiro, e quando não estão pensando, estão tentando fazer ele acontecer... Mas enfim, pelo menos hoje teremos um pão mais gostoso. Jackzinho da mamãe, vai compra um pão fresquinho na padaria do senhor Carboitraticus. - Claro mãe... Milius, sai de casa, com um pensamento longe e cara triste. Pensa na sua aposta e como vai devolver o dinheiro caso perca. Com que cara olharia para seu Malakimilius falando que comprou comida para sua família mesmo já tendo o pão do Coliseu em sua casa “Mas o pão do estado é de graça” falariam Tonicus e Malakimilius e, no final das contas, ficaria em debito com ambos. Vocês sabem, aposta é coisa de honra. Desenrolou tantos pensamentos quando reparou estar a 5 metros da porta da padaria de seu Carboidraticus. E, como se os deuses falacem com ele, Jack vê a sua frente no chão, uma cesta de palha com a maior fornada de pães fresquinhos que já vira na vida. Naquele dia o Imperador Julio Ludus iria realizar um banquete com alguns joguinhos e brincadeiras para uns 100 convidados. Jack olha para os pães, calcula o tempo e faz algo que jamais fez na vida. Corre. Corre como nunca, pega um pão da cesta e topa, finalmente, numa lustrosa armadura. Quando olha para cima vê a furiosa cara de um soldado romano, é agarrado pelo cangote. - Pode ir parando, pode ir parando... como ousa mexer nos pães do imperador? - Não seu guarda é o seguinte... eu nem tava correndo pra fugir não eu tava correndo pra pagar bem rápido, eu gosto de pagar as coisas e... - Há, conta outra cidadão... tem droga em cima? - Imagine senhor. - Possui alguma arma de fogo no veiculo. - Que veiculo???? O senhor está lou.... - TA O QUE MEU QUERIDO???? - Tá bonito hoje... - Olha, vou suavizar pra você, se tiver um dinheirinho pro café aí eu deixo você passar. - Eu tenho só uma moeda de prata. - Ta bom manda ela aqui... E, agora sem dinheiro mesmo, Jack vira as costa para o guarda que, na pura maldade pega o dinheiro, dá uma coronhada em suas costelas, outra na nuca, algema, dá um boi lambao na orelha e ainda fala bem baixinho: modafóquer. Sem entender o que aconteceu Jack acorda numa sala de pedra, com alguns ratos, algumas baratas e aquela miserável gotinha que fica caindo ao fundo e ecoa por toda sala... Sabe? Aquela de filme americano? Isso... Essa mesma. Enfim, meio atordoado ele levanta e olha o ambiente a sua volta. Estranho, lembra de ter pagado o guarda... a quanto tempo estou aqui?... que dor de cabeça... que lugar é esse? - Psiu... eu você ai... psiu. - Quem é... - Aqui do lado no burado na parede... - Onde? - Na parede atrás de você. - Oi... quem é você. - Não me reconhece das lutas?! Eu moro aqui... E posso sair daqui amanha e pegar a sala dos grandes astros! Comida a vontade, bebida, mulheres... o meu pai... tudo que eu mais queria. - Mas... mas... onde eu estou? - Você está no Coliseu! - O que??? - É meu querido... já era... você está no coliseu... - Eu... eu sou o profeta! - Ué, mas você não flutua, e onde está o seu triangulo na cabeça? - O triangulo está ali... é como uma peruca francesa, sabe? E flutuar, bem... Uns truquezinhos de storyshop, um aparato de borracha que apaga algumas imperfeições da história. - Hein? - Nada... Mas enfim, está ancioso? - Para que? Para enfrentar ele! - Ele quem? Meganus ora? - Como você sabe? - Meu querido, eu sou o Profeta... - A sim... isso me responde muita coisa... Sem esperar o cochicho de ambos é interrompido por uma voz avassaladora: - E ai corderinho... He...he...he... - O que? - Você ai, já arrumei seu apelido, é cordeirinho. - Mas... quem é? - Meganus. - O queee? Seu Meganus, eu sou seu fã!! - Sei...sei... Mas vamos aos negócios... Você vai ser o terceiro a cair. Não se esqueça, se não vai ficar 5 dias sem por uma gota de água na boca! Seu delinqüente! - Mas... mas... como assim? - Só se lembre disso. - Fala ai Profeetiiiiinha mulekão! - Grande Meganus, como ta a mamãe? - Bem bem, se recuperando da Hérnia... - Entendo! É nois cara. - Mas vem cá vocês não são arqui inimigos...? - Quem, eu e o Meg? - Sim, o Meganus. - Saiu dai o apelido? - Foi. - Vixe... - MAgina garoto, somos amigos de sela a uns XX anos mais ou menos. Mas ele, por ser mais forte chegou a lutar primeiro e foi vencendo... Alias, quem você acha que me deu a oportunidade de lutar aqui sendo magricela desse jeito...? Jack vai para porta e vê Meganus avisando a uma garota de 16 anos que ela seria a 7o a cair. Ela responde: - Sim mestre... e depois vai rolar aquele programinha? - Se você estiver afim meu docinho... Sem entender ele volta ao profeta. - Mas como assim? O 3o a cair, o 7o a cair, o que é isso? - É que amanha é a luta contra os trombadinhas, e, como ninguém gosta de delinqüentes o imperador Julio Ludus pediu para que, na volta de Meganus aos palcos, ele liquidasse com 18. - Nossa, havia esquecido, é amanha a luta dos 18 contra 1, A revolta dos escravos. - É... - E eu que estava louco para assistir. - Poxa, veja pelo lado positivo, você vai mais que assistir, vai participar! - Uau! Nem posso esperar. - Mas ficas tranqüilo, ninguém se machuca viu! É tudo encenação. - O queeee? Bom, já que ele vai ganhar, pelo menos eu não vou ter de devolver o dinheiro da minha aposta ao seu Malakimilius. - Pois é meu querido! É muita vantagem! Moral da história. Antigamente, o povo ainda ganhava pão. Hoje em dia só sobrou a audiência do grande irmão.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 14h31
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