A verdade às vezes está no que você não consegue entender.


O Fim do mundo. 
 
Agarrado pela pedra dos escombros do segundo ou terceiro quarteirão, viu que não sabia mais qual era o segundo ou terceiro quarteirão. Olhou a mão de um ou outro cara entre as rochas de concreto e sentiu um cheiro no ar. Olhou para o lado e não entendeu muito bem. Encontrou seu amigo de infância procurando a filha pela rua também atordoado:
- Pô cara, você viu meu beicinho?
- Sua filha?
- É.
- Pô cara, não vi... Eu tava ali dentro do banco, pagando conta.
- É... eu tava com ela ali no parque.
 - Pô cara, onde a gente ta?
- Que?
Quando falou isso achou estranha a reação da rua, que não parecia muito mais uma rua, mas, na realidade, parecia um pouco com um ator de cinema que ele não lembrava muito bem quem era, ou apenas parecia. Mais nada...
Olhou para aquilo que retribuiu o olhar com uma piscada e pediu para que o seguisse. Na realidade não disse nada, os dois nem sabiam direito se realmente ele tinha dito ou feito alguma coisa, mas o seguiram... 
Entraram numa loja de lingeries que ainda estava intacta, só sobraram em volta um pouco de pedra e concreto esverdeado. Aquilo os levou ao cume máximo das montanhas que reluziam ao longe, tão longe que quase não se via, mas se via, principalmente se você estivesse de binóculos, ai sim via... certeza...
E os muros se levantaram falando aos ouvidos da rua, que no momento parecia o Fredy Mercury, interessante... ele fazia o Moonwalker,  que as coisas iam de mal a pior...
- Haja visto o estado das coisas, disse um.
- Haja visto...
Depois de uma longa conversa o muro chegou num consenso.
E a rua, agora avenida, mais crescida e adulta disse:
- Infelizmente meuxxx queriduxxx...
Agora o ator que ele não se lembrava quem era usava um terno e um chapéu meio malandro.
... acho que voceix se fuderam?
- Por que?
- Voceix não viram?
- O que?
- Não viram meismo, meux amigux?
- Não...
- O fim do mundo? Não viram porra
?



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fábula de Diadema 4: Um conto de Natal.

No Natal a cidade se enfeita.

Luzes piscam, mostrando ao asfalto que a época mais esperada do ano está chegando. Tudo brilha, a cidade se ilumina, os corações ficam mais próximos. As lâmpadas são a única anunciação não sonora de algo está chegando a todo vapor, e este algo é o Natal. As lâmpadas de uma árvore são as mais lembradas, vistosas, bonitas e adoradas, pois ficam fora dos muros e das grades que cercam as nossas belas casas. Oh, quanta formosura! Casas belas, lâmpadas e eletricidade gasta a toa. Se o espírito do natal fosse verdadeiro nós pouparíamos energia e não gastaríamos mais. Mas do que não é feito o nosso espírito natalino a não ser de gastos adicionais? Enfim... um lapso de poder... E, como tudo no Natal toma vida, até a bondade toma vida, vocês sabiam que, na realidade, graças à eletricidade gasta e ao trabalho dos vizinhos, pedreiros, serventes de escola, marceneiros desempregados, ajudantes etc. as lâmpadas, todo os natais, também ganham vida? Pois é... Vida... No natal... ... as lâmpadas acendem, e conversam umas com as outras, falando de tudo que o natal é para cada uma... Agora imaginem-se aproximando bem devagarzinho de uma grande seqüência de lâmpadas enroladas numa linda arvore, bem próxima a guia da rua, para conseguirmos escutar o que cada uma fala. Imaginem...

1-

Conversa entre duas lâmpadas.

- Meniiina, você viu que a lâmpada do 14 engravidou?

- Qual a verde? Tava na hora já também, né?

- Não, não, a azul esmeralda!

-Mentiiira, a mais nova? Você só pode tá brincando comigo!!!

- Pois é, foi com o laranja turquesa do 15°, acredita...?

- O que fica em em cima dela?

- Exato!!! - A eu sabia já!

- Nossa esse mundo ta mesmo perdido!

2-

Conversa entre doía lâmpados.

- Pô cara, vou falar pro filho do cara do 34 parar de tocar bateria... tá foda...

- É acho melhor a gente falar isso no conselho com o síndico na terça, o que você acha?

- Acho bom... acho bom... Não consigo dormir a tarde.

- Mas cara, você vai privar um menino do seu sonho? E o futuro dele?

- Você acha que ele pode se tornar aquelas lâmpadas sofisticadas que tocam aquela música de natal irritante?

- É! - Então é melhor parar agora mesmo!

3-

Conversa entre duas lampadinhas adolescentes.

-É impressão minha ou o azuladinho do 48 tá que tá atrás de você, hein?

- Ai para sua boba!

- Verdade... você viu como ele ta mais azul este ano?

- Ai eu vi!!! (gritinhos e movimentos com as mãos parecendo que prenderam os dedos na porta do carro)

4-

Conversa entre duas lampadinhas crianças.

- Meu, você viu o Max Stell que o cara do 13 comprou?

- Eu vi cara, demais!

- De maaaaissss!

- Vou pedir um pro Vagalume Noel!

- Eu também!!!

- Yeeessss!!!

Moral da História:

5 gravatas conversam

Gravata 1 fala - Ai você viu as emenda que o gravata borboleta fez?

Gravata 2 fala - Nossa achei um absurdo...

Gravata 3 fala - Ai também...

Gravata 4 fala - Também...

Gravata 5 fala - Tá legal, vamos agora o mais importante: caviar russo ou chileno.

Todos juntos - Russo, né?



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 15h46
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis