A verdade às vezes está no que você não consegue entender.


Fábulas de Diadema 3: Um conto infantil.

Papai Noel nasceu no pólo norte a 1.500 anos atrás, isso mesmo, 500 anos depois do nascimento de cristo.

Impressionante como o universo conspira de 500 em 500 anos, não é? 1500 anos depois a maior conspiração de todas aconteceu: o descobrimento do Brasil.

Mas enfim. Papai Noel era filho de fazendeiro, um homem muito rico que criava Cervos. Além de uma ótima carne, os cervos são resistentes ao frio do Ártico e são muito fáceis de ser alimentados, além, é claro, de servirem de transporte, vestimenta, consolo e boneca inflável (caro leitor, se for encabeçar o sono de seu filho com este texto, por favor, pule esta última parte).

Depois de passar sua adolescência, namorar, casar e possuir filhos, Papai Noel, que foi conhecido também como Bebê Noel, Menino Noel, Adolescentes Noel, Aborrecente Noel, Jovem-cheio-de-espinhas-na-cara-noel e, enfim, depois de sua mulher dar a luz a um menino, Papai Noel, resolveu passear pelo mundo e conhecer tudo que o "além do oceano" poderia oferecer.

Saiu de viagem e ficou 2 anos fora, conhecendo lugares que vão do Yapoque ao Chauí do mundo. Conheceu tudo. Todas as igualdades da Terra e suas desigualdades. Começou a conhecer as guerras, os males, as DSTs num posto de saúde, a Malária, fez exame para ver se havia pegado AIDS, conheceu uma Porto-Riquenha, foi assaltado, correu pelado na praça da República, deu de comer a um pobre. Conheceu orfanatos. Foi visto no Bahamas.
Fez tudo isso.

Voltou para casa, para rever o filho e a esposa que tanto amava. Vivia escrevendo para eles e que diziam estar tudo bem. Só sua esposa que lembrava e deslembrava seus momentos íntimos.

Porém, tudo havia sido mudado. Seu pai estava doente e cria de cervos estava acabando. Ninguém cuidava mais da fazenda. A miséria estava dominando seu povo.

Neste momento achou que tudo estava perdido.

Num sonho, viu-se caindo, como aqueles sonhos normais, que todo mundo sonha, mas de repente viu-se voando.
Daí teve uma idéia: porque não fazer como aqueles caras estranhos, vestindo uma cueca por cima da calça, que vira no Afeganistão, e começar a distribuir comida aos pobres da sua terra? Obviamente começando pela sua família.

Vestiu seu manto verde e colocou um gorro que comprou dos Maias.

Pegou seus servos mais fortes e amarrou-os naquele trenó velho que seu pai havia dado quando completara 18 anos.
Começou a correr e distribuir sua carne, sempre ensinando aos seus convivas que era necessário conservar a carne e dividi-la uns com os outros.

Naquele tempo ainda não havia cobiça naquele condado, ao contrário do resto do mundo.

Quando Papai Noel, agora já Vovô, viu que não precisava mais avisar ninguém do que fazer com sua carne, descansou em paz.

Sua cerimônia foi linda, foi enterrado como um verdadeiro espírito de bondade. Discursos lágrimas, sorrisos e flores foram despejadas em seu leito. Até que, enquanto assistia sua passagem do lado de fora, uma fada com asas de pássaro perguntou a ele.

- Papai Noel....
- O que?
- Você pode seguir e conhecer o outro lado da vida ou prefere continuar na Terra e virar o espírito desta coisa maravilhosa que você está construindo?

- Se eu quiser seguir, este mundo que criei vai morrer?
- Essa é a lei, não? Se você não cuida, uma hora morre.

E na maior das boas intenções, papai Noel resolveu abdicar da sua vida "do outro lado" e fazer o espírito Natalino.

Moral da História:

Papai Noel acabou ficando corrompido pelo mundo inteiro, fez negócios com os outros Deuses da Terra e inventou o capitalismo.

 



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h35
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