A verdade às vezes está no que você não consegue entender.


Fábulas de Diadema 13: O homem personagem.

Parte 1.

Quando Leba tinha um ano diziam: Zulei, mas que menino lindo. E a mãe falava. -Obrigada... Quando tinha doze aninhos: Amiga...Uma gracinha esse seu filho. Nossa nunca vi coisa igual... E a mãe dizia: Obrigada... Aos 20: Ai que lindo. Que olhos, que boca, que... Meu deus, que calor... E a mãe dizia: Menos, por favor menos... Seu dublador dizia: mãe, deixa ela falar... Foi assim que nasceu e viveu Leba, ao salvo de mil elogios, bem nas imediações do rio Ganges, na Índia. Indianos por natureza, seus pais eram fãs de Bollywood e interpretos viciados em Akshay Kumar. Realmente esse cara era lindo. Um dos astros dos filmes e, principalmente das propagandas da época. Vendo a beleza de seu filho, não pensaram duas vezes, resolveram o colocar num teste para propagandas de fraldas. A primeira vista deu certo. Sua beleza reluzia nas câmeras. Era tão belo que seus elogios aumentavam a cada instante. Aos 5 anos teve sua primeira namorada... Coisa de louco, ou de gente bela por natureza. Como não era de se esperar, quando Leba tinha por volta dos 12 anos, uma empresa fabricante de brinquedos o chamou para fazer um filme de 30 segundos. Seria um estouro! Sua imagem apareceria em todas as telas: do out door à internet. Seus pais teriam o astro que a muito queriam. E só precisava falar o nome da empresa. Uma palavra, de 5 letras. O único problema é que ele era mudo. Tinha talento, fama, beleza, mas não tinha voz. Os produtores ficaram indignados. - COMO NÃO REPARAMOS NISSO ANTES? - Mas foi o senhor quem disse que adorava este menino porque ele não falava de mais. - EU NÃO DISSE ISSO! - Disse sim senhor. - VOCÊ ESTÁ DEMITIDO, SUBAM O ESTAGIARIO DE CARGO. Seus pais não sabiam mais o que fazer. Ficaram desesperados. O sonho estava tão próximo. E... Vieram falar com os pais do garoto, a mensagem não foi das melhores. - Desculpem, mas um ator sem voz é como um jogador de futebol sem pernas. Diziam os produtores aos pais da pobre criança. - E se nós arrumarmos pernas para ele...? - MAS ELE JÁ TEM PERNAS! - Não é que... - COMO NÃO, ESTOU VENDO AS PERNAS DELE ALI! - Quando disse pernas quis dizer voz... - O GENTE, ESSES PAIS AQUI SÃO MUITO LOUCOS! -Calma... E se nós arrumassemos a voz dele, a voz mais bela da índia. - Onde vocês achariam? - Bom é... Veja bem... Sabe é que... -Vocês têm o prazo de três dias. Mas lembrem-se, ninguém pode saber disso, apenas a gente, vocês e o futuro dublador do seu filho. Sairam à caça. Em meio a um país com 1 bilhão de habitantes, achar a voz mais bela da India, sem falar para ninguém. Tarefa difícil. Dizem por aí que chegaram até a fingir ser produtores musicais.Iam a orfanatos, creches, escolas públicas, particulares, etc. Uma correria fora do comum. Já no terceiro dia deste corre-corre desesperado, foram até a margem do rio que deu origem a belíssima figura de seu filho, e pediram uma pequena ajuda. A ajuda veio. Tão rápida quanto um delivery de pizza numa terça feira. Foi quando viram um menino, feio coitado. Ele gritava algo ao pai. Algo como “Sai daí seu velho louco, não está vendo que essa vaca vai te atropelar????” Não dá para lembrar muito bem o que ele falou, a voz encantava demais, era coisa de outro mundo.

Parte 2.

Quando Ciam tinha 1 ano... - Brinka, nossa, mas que menino... é... magrinho né? - Pois é, nasceu subnutrido, coitado. - Mas que estranho, ele não chora... - Eu ainda não entendo, ao invés de chorar ele canta... Quando tinha 12. - Nossa Brinka, mas que voz linda ele tem. - Para você ver, ele é tão lindo. - É... lindo... veja bem.... Que voz de ouro hein...? Quando tinha vinte. - Brinka, cadê o seu filho??? - Tá ali... -Onde? - Ai, Ai... ele tá... lindo... E foi assim que nasceu e viveu Cian. Como um paradoxo. Sua beleza e sua voz eram duas coisas opostas. Um timbre de anjo, mas uma cara... bom, mrlhor nem comentar. Fissurados por músicas da sua terra, os pais de Cian, fans de Nina Verdee, tentaram a qualquer custo fazer o sucesso do filho. Foram a programas de calouros, como o Silvio Santos e o Raul Gil da índia, mas a feiúra do filho não era aceita pelas câmeras e marajás das telas. Alguns programas de humor o chamaram, mas não para falar de sua voz, e sim de sua imagem. Tadinho. Seu talento era escondido pelo seu rosto. Tentou entrar numa rádio, mas foi barrado. Os produtores até gostaram de sua voz. Alias adoraram, mas assustou o dono da rádio, que teve um infarto fulminante. Foi traumatizante, tanto para Cian, quanto para seus pais que desistiram de fazer a fama de seu filho. O sonho havia acabado... Apesar de praticamente não ter começado... Depois de tanto tentar, tentar e tentar, seus pais pediam ao Rio Ganges, ao seu rio sagrado, todos os dias, para que o filho tivesse uma chance de aparecer. Depois de 15 dias pedindo e já sem esperanças, seu pai, sofrendo de insolação, começou a cambalear para traz, como se estivesse bêbado, e não vê uma vaca que corria solta, bela e balançando as tetas pela rua. Cian exclama: - Sai daí seu velho louco, não está vendo que essa vaca vai te atropelar???? Também, nem contando apenas a história de Ciam, lembro o que ele disse. Mas acho que foi isso. A voz era linda demais... De repente um homem coloca a mão em seu ombro: - Essa voz é sua mesmo? Pergunta o pai de Leba. - Não... não é não... Responde Cian. - Você está tirando uma com aminha cara? - Não, imagina... - Olha... Te falar... Que voz linda... - Eu estou procurando um produtor, mas sei que o senhor não é... - Como sabe? - O senhor não fala em letra maiúscula. - A sim... Mas tenho planos para você. - Interessante...

Parte 3.

- Produtor... produtor... Conseguimos arrumar a voz mais bela da Índia. - AÉ... E CADE? - Está ali... - POR SHIVA... QUE PORCARIA É ESSA? -O senhor é produtor? - MAS QUE VOZ MARAVILHOSA. - o senhor é o produtor? - SIM... - até que enfim. - MAS VEM CÁ, ESTA VOZ É SUA MESMO? - Não, não é... - VOCÊ ESTÁ ME TIRANDO? - ... - GOSTEI, VAMOS GRAVAR... - Gravar o que? A mão de Leba sai e volta com o filho segurando suas mãos. - Ciam, este é o meu filho, Leba. - VAMOS GRAVAR... - O negócio é o seguinte, quando Leba olhar para a câmera e falar o nome da marca, você fala ao mesmo tempo neste microfone, ok? O comercial foi gravado. O sucesso foi fora do comum! Ciam falou na hora certa o nome da empresa de brinquedos, tudo deu certo. -Agora está feito, dizem os pais. - é quando Leba sai da gravação, vai dar um abraço em seus pais e Ciam fala: - Pai, mãe... Gostaram? Todos se entreolham, acharam apenas uma grande coincidência. *** Numa bela noite, o telefone da casa de Ciam toca. - Quem é? – diz o pai. - Aqui é a mãe do Leba, e vc? - Eu não... -... Preciso falar com Ciam... - Um minuto... - Ciam, preciso de um favor, venha aqui em casa, Leba está passando mal, eu não entendo o que ele fala. - Coloque ele na linha... - ... - Ele disse que está com inicio de dengue, mas pela sua voz acho que é só frescura... Foi um rebuliço... Como esse garoto conseguia traduzir tudo que o Leba falava, sem mesmo estar próximo a ele? Uma semana depois gravaram um comercial de sucos em pó. Sucesso, os dois tinham uma sincronia fantástica. Passaram alguns anos, 2, se não me engano, e depois de uma gravação para uma empresa do varejo de moda, Ciam vira-se para os pais de Leba e diz: - Mãe, pai, vou jantar com Ciam hoje. Os dois se viram para CIam e falam: - Ok filho pode ir. Eles passaram mão em sua cabeça e deram um pouco de dinheiro. Os pais de Ciam e o próprio Leba acharam isso meio diferente... Os meninos jantaram e cada um foi para sua casa. Conforme os anos foram passando a sincronia de ambos aumentava de forma estrondosa. Leba não precisa nem estar perto para que Ciam conseguisse saber o que este queria dizer. Era até engraçado quando Leba estava no banheiro e Ciam fazia os sons que vinham lá de dentro. Conforme os anos iam passando Leba a e Ciam ficavam cada vez mais parecidos, andavam juntos como se fossem siameses, o que um queria o outro respondia. Ciam, até que estava bonito, perdeu um pouco da feiúra, aquele estado que o incomodava. O mais interessante foi, que conforme Ciam ia ficando mais bonito, mais os pais de Leba iam o confundindo com o filho. Certa vez o próprio produtor confundiu um com o outro. - UÉ, MAS VC TÁ FALANDO AGORA? - Eu sempre falei... - NÃO, NÃO, VOCÊ, NÃO FALAVA. - Falava sim. -OLHA MEU QUERIDO, NÃO QUERO SABER SE FALAVA OU NÃO. VAI JÁ PRO SET. - Mas e o Leba, não é ele quem vai gravar? - UÉ, MAS VOCÊ NÃO É ELE? - Eu o que? - VAI JÁ... BONITÃO. - Tá bom... Aquele dia Leba não apareceu na gravação. Alias, leba nunca mais apareceu... Ao terminar a filmagem, os pais de Ciam foram abraçar o filho, do mesmo jeito que os pais de Leba, vieram abraçar Ciam. - Meu filho... Dizem os quatro.

Moral da história.

Leba nunca mais foi visto. Dizem que o viram como sósia de Ciam, uma atração turística do Rio Granges, mas não dá para saber se era ele realmente. Hoje ficou difícil saber quem se é. Principalmente quando querem sempre que você seja alguma coisa. Já pelo outro lado, o sanmento Mas vamos ao inicio. Quan ainda era Nascimento de um. Nascimento do outro. Um virou modelo, ator. O outro tinha uma voz linda... como o primeiro era muito belo, mas não tinha voz, deram a voz do segundo, que era feio a ele.   



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 12h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fábulas de Diadema 12: Roma high definition. Passado o aqueduto, Jackmilius entrou a primeira à direita dando de frente ao Coliseu. Já passavam das 6 da tarde e estava atrasado para seu horário na barbearia do seu Tônicus. Entrou, o sino da porta tocou, todos olharam de sobressalto farfalhando seus jornais. “Naquele tempo a tecnologia era incrível”, dizem hoje. - Milius! Já passou um mês? O tempo anda voando hein! - Para o senhor ver seu Tônicus. A quantas anda? - A CXX por hora! - Ô maravilha. - Sente aqui, vamos cortas esse cabelo... O de sempre? - Sim, mas sem esta piadinha de podar na frente pica atrás... o senhor não tem mais idade hahahaha. - Olha o respeito.. hahahahaha. De repente um homem que sentava ao fundo se levanta, caminha até o Jackmillius olha com cara séria e lhe dá uma moeda de prata. - Perdi de novo! - A seu Malakimilius, é só ler os jornais, o Meganus é o melhor! - Mas fiquei sabendo que quebrou a perna. - Como assim? Quebrou mesmo? E esta moeda? - Estou lhe dando o dinheiro da nossa ultima aposta... não tem ido ao coliseu? - Ah sim, agora me lembro. Então, há tempos não dou as barbas por lá - Pelas barbas do profeta. - Mas Alexandre tinha barbas? - Olha Milius, eu não sei... Mas as barbas do Profeta, o escravo mais rápido e destemido que o coliseu já viu, esta sim... que força... quanto vigor. - Ora seu Tônicus, não acho que ele sej... - Quer apostar esta moeda de prata? - Amanha ele luta contra quem? - Dois leões e Cinco tigres. - de bengala? - De bengala sim... - Cacete... - Para você ver... - Prontinho Jack já pode ir. - Bom gente vou para casa. Amanha volto trazendo as noticias do Coliseu. - Tá certo! E não gaste esta moeda... Amanha ela será minha novamente! Jackmilius abre novamente a porta da barbearia do seu Tônicos e segue rumo sua casa. Repara que a cidade está em festa devido a seqüência memorável de vitórias que o tal profeta vem mantendo. Diziam até que Meganus está ansioso para voltar e acabar com a raça desse profetinha lazarento, e Milius, claro, concorda com isso. Afinal Meganus é o melhor. Passou por alguns pôsteres do tal Profeta colados nas muralhas da cidade. Era interessante, um magro escravo barbudo, com um triangulo na cabeça e flutuando no ar com poses de Gandhi. Olhou ao lado, o pôster do seu grande herói, empunhando uma lustrosa espada tipicamente romana e um olhar de soberba que só os romanos do alto escalão da época, o alto clero da idade media e as celebridades políticas possuem. Parou para admirar o colossal coliseu, virou novamente no aquetudo, e foi andando para casa. Ao entrar em casa ouve sua mãe, uma daquelas velhas senhoras italianas que já vem com megafone de fábrica instalado na boca, bradar com seu pai: - Mas esse imperador Julius Ludus tá avacalhando com o pão hein? Olha que porcaria! Tá duro que nem um pau! - Amor, meu grande amor, se o estado te dá, quem é você pra reclama? - Eu sou a merda de pessoa que vai comer essa porcaria de pão porque você não trabalha! Fica o dia inteiro enfurnado naquele coliseu e acha que trazer pão todo dia é a solução para os nossos problemas. - Amor, meu grande amor, se o estado me dá, quem sou eu pra reclama? - Você é um pai de família... Olha o exemplo que tá dando pro seu filho! Tá loco, Jesus, tá loco! - Amor meu grande amor... sabe por que confio tanto no estado? -Por que? - Por que ele não me deu você! Quando Milius intervem. - Pai... Mãe... Ganhei uma aposta... -Eu bem disse, olha o exemplo... - Amor, meu grande amor... eu dou exemplo de sagacidade e amor ao esporte, não é fantástico???? - Ao esporte ou aos tostões que ele gera? Esse mundo tá perdido Jesus! Todo mundo só pensa em dinheiro, e quando não estão pensando, estão tentando fazer ele acontecer... Mas enfim, pelo menos hoje teremos um pão mais gostoso. Jackzinho da mamãe, vai compra um pão fresquinho na padaria do senhor Carboitraticus. - Claro mãe... Milius, sai de casa, com um pensamento longe e cara triste. Pensa na sua aposta e como vai devolver o dinheiro caso perca. Com que cara olharia para seu Malakimilius falando que comprou comida para sua família mesmo já tendo o pão do Coliseu em sua casa “Mas o pão do estado é de graça” falariam Tonicus e Malakimilius e, no final das contas, ficaria em debito com ambos. Vocês sabem, aposta é coisa de honra. Desenrolou tantos pensamentos quando reparou estar a 5 metros da porta da padaria de seu Carboidraticus. E, como se os deuses falacem com ele, Jack vê a sua frente no chão, uma cesta de palha com a maior fornada de pães fresquinhos que já vira na vida. Naquele dia o Imperador Julio Ludus iria realizar um banquete com alguns joguinhos e brincadeiras para uns 100 convidados. Jack olha para os pães, calcula o tempo e faz algo que jamais fez na vida. Corre. Corre como nunca, pega um pão da cesta e topa, finalmente, numa lustrosa armadura. Quando olha para cima vê a furiosa cara de um soldado romano, é agarrado pelo cangote. - Pode ir parando, pode ir parando... como ousa mexer nos pães do imperador? - Não seu guarda é o seguinte... eu nem tava correndo pra fugir não eu tava correndo pra pagar bem rápido, eu gosto de pagar as coisas e... - Há, conta outra cidadão... tem droga em cima? - Imagine senhor. - Possui alguma arma de fogo no veiculo. - Que veiculo???? O senhor está lou.... - TA O QUE MEU QUERIDO???? - Tá bonito hoje... - Olha, vou suavizar pra você, se tiver um dinheirinho pro café aí eu deixo você passar. - Eu tenho só uma moeda de prata. - Ta bom manda ela aqui... E, agora sem dinheiro mesmo, Jack vira as costa para o guarda que, na pura maldade pega o dinheiro, dá uma coronhada em suas costelas, outra na nuca, algema, dá um boi lambao na orelha e ainda fala bem baixinho: modafóquer. Sem entender o que aconteceu Jack acorda numa sala de pedra, com alguns ratos, algumas baratas e aquela miserável gotinha que fica caindo ao fundo e ecoa por toda sala... Sabe? Aquela de filme americano? Isso... Essa mesma. Enfim, meio atordoado ele levanta e olha o ambiente a sua volta. Estranho, lembra de ter pagado o guarda... a quanto tempo estou aqui?... que dor de cabeça... que lugar é esse? - Psiu... eu você ai... psiu. - Quem é... - Aqui do lado no burado na parede... - Onde? - Na parede atrás de você. - Oi... quem é você. - Não me reconhece das lutas?! Eu moro aqui... E posso sair daqui amanha e pegar a sala dos grandes astros! Comida a vontade, bebida, mulheres... o meu pai... tudo que eu mais queria. - Mas... mas... onde eu estou? - Você está no Coliseu! - O que??? - É meu querido... já era... você está no coliseu... - Eu... eu sou o profeta! - Ué, mas você não flutua, e onde está o seu triangulo na cabeça? - O triangulo está ali... é como uma peruca francesa, sabe? E flutuar, bem... Uns truquezinhos de storyshop, um aparato de borracha que apaga algumas imperfeições da história. - Hein? - Nada... Mas enfim, está ancioso? - Para que? Para enfrentar ele! - Ele quem? Meganus ora? - Como você sabe? - Meu querido, eu sou o Profeta... - A sim... isso me responde muita coisa... Sem esperar o cochicho de ambos é interrompido por uma voz avassaladora: - E ai corderinho... He...he...he... - O que? - Você ai, já arrumei seu apelido, é cordeirinho. - Mas... quem é? - Meganus. - O queee? Seu Meganus, eu sou seu fã!! - Sei...sei... Mas vamos aos negócios... Você vai ser o terceiro a cair. Não se esqueça, se não vai ficar 5 dias sem por uma gota de água na boca! Seu delinqüente! - Mas... mas... como assim? - Só se lembre disso. - Fala ai Profeetiiiiinha mulekão! - Grande Meganus, como ta a mamãe? - Bem bem, se recuperando da Hérnia... - Entendo! É nois cara. - Mas vem cá vocês não são arqui inimigos...? - Quem, eu e o Meg? - Sim, o Meganus. - Saiu dai o apelido? - Foi. - Vixe... - MAgina garoto, somos amigos de sela a uns XX anos mais ou menos. Mas ele, por ser mais forte chegou a lutar primeiro e foi vencendo... Alias, quem você acha que me deu a oportunidade de lutar aqui sendo magricela desse jeito...? Jack vai para porta e vê Meganus avisando a uma garota de 16 anos que ela seria a 7o a cair. Ela responde: - Sim mestre... e depois vai rolar aquele programinha? - Se você estiver afim meu docinho... Sem entender ele volta ao profeta. - Mas como assim? O 3o a cair, o 7o a cair, o que é isso? - É que amanha é a luta contra os trombadinhas, e, como ninguém gosta de delinqüentes o imperador Julio Ludus pediu para que, na volta de Meganus aos palcos, ele liquidasse com 18. - Nossa, havia esquecido, é amanha a luta dos 18 contra 1, A revolta dos escravos. - É... - E eu que estava louco para assistir. - Poxa, veja pelo lado positivo, você vai mais que assistir, vai participar! - Uau! Nem posso esperar. - Mas ficas tranqüilo, ninguém se machuca viu! É tudo encenação. - O queeee? Bom, já que ele vai ganhar, pelo menos eu não vou ter de devolver o dinheiro da minha aposta ao seu Malakimilius. - Pois é meu querido! É muita vantagem! Moral da história. Antigamente, o povo ainda ganhava pão. Hoje em dia só sobrou a audiência do grande irmão.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 14h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fabulas de Diadema 11: O homem que caia sempre.

 

Fim de semana de sol, o que isso quer dizer? Churrasco de família.

Na chácara da tia Fátima, Lucas andava pelo quintal como sempre fazia nestas ocasiões. Brincava com o capitão, o cachorro deles e conversava bem, com todo mundo, como sempre fazia.

Um dia festivo como os de sempre. Com as primas na piscina, Lucas fazia suas graças. Cantava moda sertaneja com os tios, fofocava da vida das meninas da sua sala com as tias e ouvia os conselhos de sua avó.

Numa das idas ao pomar, ida simples só para colher uma, duas ou TRÊS carambolas direto do pé, escorregou, deu uma cambalhota na grama e sem perceber entrou por um buraco.

Ou melhor, entrou pelo cano.

Ainda de olhos fechados percebia o barulho do vento passando pelas suas orelhas, achava estranho ventar dentro de um buraco, mas ao abrir percebeu estar em queda livre.

Desespero.

Lucas espalhafatosamente se estrebuchava e gritava alto sentindo a agonia de um pára-quedista sem céus para contemplar, uma queda direta no escuro.  Gritava, agitava os braços, segurava nas raízes em volta mas de nada adiantava. Gritava feito louco. Alto. Alto! Mas reparava que seu destino era sempre para baixo. 

Sem agüentar mais a tensão desmaia.

Abre e o olho depois de minutos e ainda está lá. Desmaia de novo.

Depois de uma hora, repara que não saiu do lugar, que dizer, saiu mas o seu destino ainda era para baixo.

...

Do lado de fora seus parentes se desesperaram “Onde foi parar o Lucas santo Deus!!” perguntavam-se todos.

Depois de algumas pericias da policia descobriam que ele havia caído no buraco.

A mídia foi a primeira a aparecer no local com bombástica repercurção em rede nacional. Velas foram acesas em volta do buraco e transmissões com flashs ao vivo da chácara da tia Fátima eram passadas de 5  em 5 minutos.

...

Quando já batiam 5 ou 6 desmaios Lucas resolve gritar mais um pouco.

Grita.

Cai.

Grita.

Cai.

Para de gritar.

Mas continua caindo.

Sem saber o que fazer dorme. Acorda 8 horas depois.

Percebe que seu medo na queda era que logo chegasse o chão, mas o chão nunca chegava. “Deve ser porque estou depois do chão” pensava.

Mais ou menos 48 horas depois de sua queda, lhe bate uma incrível vontade de fazer Xixi. Ele se arruma e consegue ficar de pé. Começa a urinar e achou incrível que, ao invés de descer, seu xixi subia. Não estava muito apertado já havia se mijado inteiro nas calças enquanto estava desmaiado. 56 horas depois sente dor de barriga. Defeca e batata! A merda também subia.

...

Do lado de lá as pessoas se juntavam em volta do buraco clamando cânticos do menino que desapareceu por colher carambolas. Seus pais estavam desesperados, mas a mídia não. Sabiam por a+b que a cada flash daquela intrigante história as pessoas iriam na frente de seus televisores saber um pouco mais do que estava acontecendo. Pois é, enquanto Lucas caia, a audiência subia.

...

Lucas começou a passar fome e se alimentava das raízes que passavam pela sua frente. O problema foi só quando a terra acabou, chegaram os bolções de água logo depois as pedras e, enfim o Pré-sal.

...

Já na TV parou-se de falar no Pré-sal, Lucas era mais importante, chegaram a  levantar uma estátua de bronze em sua homenagem, bem ao lado do pé de carambolas. O sitio da tia Fátima virou um local de passagem de peregrinos, e malucos que acreditavam nos reptilianos que vivem em baixo da terra.

...

E ele caia.

Caia.

Caia.

Até se acostumar tanto com a queda que nem ligava mais. Afinal de contas, 3 anos caindo, quem diria.

E Lucas continuou caindo, sem saber onde ia chegar, e no final das contas, nunca soube.

...

Do lado de fora, as coisas pararam de acontecer, até a mídia cansou de usar o Buraco e o Lucas pra vender espaços comerciais.

 

Moral da história.

 

Cair na mídia é como cair num buraco sem fundo. Tudo em volta pode ser usado para falar de você, até que chegue o chão, ou então o esquecimento.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 17h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Tudo certo.

- Alô, Patrício?

- Isso, quem é?

- Pô, como você não ta reconhecendo rapa!?

- Quem é?!!

- A,você não sabe, mesmo?

- Olha, se você for mesmo meu amigo deve saber que odeio essas brincadeiras de telefone e... Zanon?

- Hahahhaha, fala Patrício!

- Nossa, ta com a voz diferente, mais encorpada!

- É... os anos vão passando e a gente vai ficando mais encorpado, como um bom Wiskey.

- Mas vem cá, ta tudo certo?

- Ta sim. Tudo tranqüilo.

- O gado ta engordando?

- Opa.

- A pensão ta paga?

- Se atrasar, já viu.

- O imposto ta pagando direitinho?

- Tô sim, parei de sonegar.

- Boa!

- Boa.

- Mas e as crianças, tão na escola?

- Tão... tão.

- O tanque ta cheio?

- Graças a Deus.

- A cama ta arrumada?

- Sempre.

- O celular ta carregado?

- Ta sim.

- O café ta feitinho, direitinho?

- Ta.

- A grama, a grama ta cortada?

- Todo mês, todo mês.

- Então ta tudo certo, né?

- Ta tudo certo, ainda bem viu Patrício. Mas e você?

- Eu o que?

-Ta tudo tranqüilo, tudo certo?

- A ta viu, tudo certinho.

- A taxa selic ta subindo?

- Ta sim, ainda bem.

- O DVD ta no aparelho?

- Claro.

- O testamento ta assinado?

- Opa.

- A barba ta feita, a pasta de dente ta cheia?

- Ainda bem.

- Sexo, ta usando camisinha... preservativo?

- To sim. - E a mensalidade da Net?

- Tudo Ok.

- Conta de telefone ta paga?

- E deu caro esse mês viu.

- O pneu ta calibrado, a internet ta funcionando?

- Tudo funcionando, tudo certo.

- Então, ta tudo certo mesmo, né?

- Ta sim.

- Então ta bom Patricio.

- Ta certo então Zanon.

- Ta tudo certo.

- Tudo, tudo...

- Então, abraço viu.

- Outro pra você também.

- Magina é sempre um prazer.

- Que é isso, o prazer é meu. Abração.

- Abraço Tchau, Tchau.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 14h22
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fábulas de Diadema 10:  A O Zeit Geist da Pilula.

1-

Hong Kong. Dez horas da manhã.

Falou bom dia ao loro, ele responde com um espirro tímido.

Mas como assim? Papagaio espirra? Pensou.

Levou ao veterinário. Ele disse:

 您的鹦鹉有禽流感。

 (legenda: Seu papagaio está com gripe.)

 怎么会呢

 (Como assim?)

然而正常的所有的物都冷

 (Ora, normal, todos os animais ficam resfriados, assim como nós)

...

 ( A, tudo bem...)

Pegou a gaiola e saiu pelas ruas.

Dois dias depois acordou com coriza e espirrando.

Morreu três dias depois.

Seus pais o enterraram, era tão jovem, tinha muito pela frente ainda. Uma pena, uma perda.

2-

O tempo passou.

Não muito tempo, mas passou.

E mais e mais pessoas davam bom dia a seus papagaios, eles espirravam, dois dias depois acordavam com coriza, espirrando e morriam 5 dias depois.

E a pergunta continuava: mas papagaio espirra?

 

Em Hong Kong morreram 5 individuos, no leste da Rússia ( que é logo ali) 3. Isso, mesmo sem os papagaios se conhecerem, seus donos entrarem em contatos entre si, ou mesmo saber se realmente papagaios espirravam.

3- Pequim – Oito horas da manhã.

Um jornalista ficou sabendo da dúvida e saiu pelas perguntando a todos, se papagaios espirravam. Descobriu que ninguém sabia. E descobriu também que ninguém sabia que o espirro do papagaio poderia matar em 5 dias, caso ele realmente existisse.

Soltou a pergunta no jornal o qual era âncora, no blog do jornal,  no twitter do jornal, nos outros jornais de sua emissora. O jornal recebeu grande audiência. Mas não obteve resposta.

No outro dia, soltou a noticia que o espirro do papagaio matava em 5 dias. A audiência triplicou.

3-

São Paulo – Meio dia.

Um homem acaba de perder o emprego.

Disseram a ele que a crise financeira havia afetado a empresa e que era necessário fazer certos sacrifícios para que a empresa continuasse viva, nem que, para isso, fosse necessário o corte de algumas cabeças.

Viu seu saldo no banco.

Foi ao médico fazer seu exame demissional.

A noticia internacional passava na TV do consultório.

Rouba 15 máscaras cirúrgicas e vai vendê-las na 25 de março.

4-  Genebra – Quatro horas da manhã.

Um famoso farmacêutico vê que a crise financeira estava acabando com sua empresa.

Vê o noticiário.

Liga para seu parceiro político. Isso, aquele mesmo que ajudou a subir na carreira. Hoje preside a OMS.

Pergunta a ele se papagaio espirra.

“Papagaio niesen?”

O outro não sabe.

Ich weiß nicht

Pergunta se este assiste a TV.

Sie fernsehen?”

Ele diz que sim.

“Ja”

Diz que já sabe como ele pode retribuir o favor do dinheiro investido em sua campanha política.

Ich weiß, wie können Sie mir, dass die Rückzahlung”

O outro pergunta como.

“Wie?”

Diz que é só deixá-lo falar as palavras certas para a TV e que ele deveria apoiá-lo.

“Ich brauche nur zu sprechen, die richtigen Worte im Fernsehen, und Sie sollten mich.”

O outro diz tudo bem.

“Ja”

5- Pequim – Oito da manhã.

Jornalista chinês recebe pauta do dia.

Vê que jornal suíço disse que o Secretário da OMS disse que o dono de uma grande industria farmacêutica disse que ele, bom, ele não, a sua industria farmacêutica, já possuía o remédio para a conter a gripe do papagaio que assola a humanidade.

Na mesma coletiva em que o dono da industria dava a entrevista perguntaram a ele se papagaio espirrava.

Nada disse.

O Jornalista entra no Ar com face triste, dizendo que a gripe do papagaio já matara milhões. A audiência quadruplica.

6- São Paulo. Três da tarde.

As vendas andavam bem. Muito bem. Até o jornal dizer que numa coletiva de imprensa o Secretário da OMS disse que um dono de uma grande industria farmacêutica havia dito que achara o remédio para o gripe do papagaio.

O homem fica preocupado. Havia até contratado dois moleques para fazerem mais vendas de máscaras nas ruas da cidade e um para roubá-las dos hospitais.

Perdeu tudo.

Voltou para a rua da amargura, mas conseguiu emprego numa grande industria farmacêutica internacional dez dias depois. Voltara enfim a ganhar dinheiro honesto, claro.

7- Genebra – Sete da manhã.

Com um copo de Uísque e duas maravilhosas mulheres o esperando na cama, ele, o dono da industria farmacêutica, vê que suas ações subiram.

8- Mundo – Vários horários.

Todos já estão a salvo da gripe do papagaio. Menos os papagaios, os quais sofreram altas represarias  em sua espécie durante o período. Porém ganharam muita fama, isso porque todas as represarias foram filmadas.

9- Genebra – Sete da manhã.

Dono da industria acorda cedo. Liga para seu agente bancário. O gerente liga para um banco nos EUA. Pega dinheiro emprestado para pagar funcionários do mundo inteiro que produziram em excesso a Pílula para a gripe papagaia. A empresa vai a falência.

10- Washington – Uma da tarde.

Banqueiros descabelam-se por não receberem o dinheiro da industria farmacêutica falida. Bancos abrem concordata.

11- São Paulo – Cinco da Tarde.

Homem está sentado na frente da TV de um consultório médico para fazer seu exame demissional. Foi demitido devido a crise dos bancos.

Rouba 5 máscaras cirúrgicas, só para se garantir.

 

Moral da história.

Ainda não sabem se papagaio espirra. Mas já descobriram que a doença é o remédio da economia.

 

 

 

 

 

 



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 15h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Antigamente, pai e filho, tinham um costume peculiar das cidades do interior de São Paulo: esperar uma bela hora do dia, parar o carro na estrada, sacar de um canivete e descascar uma saborosa laranja, que às vezes era meio verde, meio amarelada ou mesmo meio marrom. Com o tempo isso foi acabando, principalmente com o advento dos agrotóxicos e a mídia realizando alertas sobre envenenamento por simplesmente ter um costume.

(Relato de não se sabe onde)

Fabulas de Diadema 9: A Industria invisível.

Em meados de tempo algum, num futuro não muito distante, se não me engano, dois homens aparentando meia idade, Peixinho(37) e Peixão(62) mais conhecidos como pai e filho, pararam em frente a uma loja de TVs.

Rolava Michael Jackson no radinho do estabelecimento.

As TVs mostravam um reclame de laranjas. Publicidade interessante. Tudo parecia um filme onde pai e filho andavam pela estrada, como as vicinais do interior do estado de SP.

Saíam do carro. Paravam num pomar qualquer e colhiam uma deliciosa laranja. Sim, uma laranja.

Isso porque era uma propaganda de Laranjas.

Ele dizia, “olha filho, aqui existe uma laranja pura.”

“É mesmo pai?”

“É mesmo, não possui agrotóxicos, e é aprovada pela indústria invisível.”

“Ela, não tem nada mesmo?”

“Nada, nem uma gota de veneno, nada. Feita completamente da terra, a mais pura terra”

Entrava uma animação bonita em tons pasteis.

Fechava num logotipo.

Peixe e Peixão se entreolham.

“Essa industria invisível é foda”Diz o mais novo.

"É meu filho, quando eu era jovem ela ganhava dinheiro por envenenar todo mundo, agora por tirar esse veneno."

“Alias faz tempo que a gente num faz isso né?”

“É...”

Moral da história: Mais informações... Eu não sei.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 12h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fábulas de Diadema 8: The Michael Conspiracy.

Som de música pesada ao fundo.

Entra ator vestindo roupas brilhantes. Muito pó e pomada branca na cara. Ele grita. Alto. E usa luva brilhantes numa única mão. Por que? Não sei.

Quando grita leva a mão ao coração e cai no chão.

O chão faz um barulho de que algo caiu nele.

Algo ou alguém.

Ator.

Uooowwwwwwww Ú Ú. Í.

Chão.

Clatum.

Entram homem vestindo jaleco e estetoscópio.

Ele olha aquilo. Sinaliza com a cabeça.

Pega o telefone.

O telefone possui voz de adolescente.

Doutor.

Tem um cara morto aqui.

Telefone.

Quem?

Doutor.

Se eu disser você vai achar que é trote.

Telefone.

A calaboca.

Doutor.

Ta.

Mas esse corpo vai feder.

Telefone.

É verdade, mas quem matou?

Doutor.

Foi infarto do miocárdio.

Telefone.

Caramba, justo desse tal ai?

Doutor.

Pra você ver.

Telefone.

Ta bom, estou enviando o carregador.

Telefone vira-se para a direita e grita. Alto.

Telefone.

Pepe! Vai lá pra terra do nunca pega o Menião.

Pepe.

Ô loco!

Telefone.

Pra você ver.

Telefone.

Não sei. Mas acho que tem coisa ai.

Pepe.

Por que?

Telefone.

Não sei.O meninão sempre foi criança.

E criança num morre cedo na América.

Pepe.

Verdade.

Pepe atravessa a cena e chega na casa.

Música ambiente.

Com toque ambientalista.

Musica.

"Think about the generations and they say: We want to make it a better place for our children and our children's children. So that they know it's a better world for them; and think if they can make it a better place."

Uma seringa entra em cena e fala para o Pepe.

Seringa.

Opa.

Pepe.

Opa.

Pepe olha para o médico e pergunta.

Pepe.

Mas como ele morreu?

Doutor.

Foi infarto do miocárdio.

Pepe.

Caramba, justo desse tal ai?

Doutor.

Pra você ver.

A seringa acena com as mãos. Ela mostra que diz que não.

Seringa.

........

Entra homem de repente e fala.

Homem.

Eu sou o pai.

Homem e médico olham um na cara do outro, viram-se e dão um belo abraço com muitos tapas nas costas.

Pepe se revela. Mostra sua carteira da polícia federal e diz que vai levar a seringa para interrogatório.

Pepe.

Você, venha comigo.

Todos juntos.

Eu?

Pepe.

Não sei.

Pai, médico e seringa saem de cena.

Entram três remédios.

Remédio 1.

Você viu?

Remédio 2.

O que?

Remédio 1.

Acabaram de levar todo mundo para a delegacia.

Remédio 3. Por que? Remédio 1.

A perna dele valia muita grana.

Remédio 2.

O que???

Remédio 1.

A, com os contratos dos últimos shows e a fragilidade dele resolveram fazer seguro da perna.

Remédio 3.

Por que?

Remédio 1.

Não sei. Não sei.

Mas disseram que compraram vocês dois aí para usar de pano de fundo.

Remédio 2.

O queeee?????

Remédio 1.

É... vocês chegaram ontem, e já foram quase completamente usados pelo Homem e o Médico.

Remédio 3.

Por que?

Remédio 1.

Não sei... Talvez o seguro.

De repente aparece a seringa algemada.Faz uma pergunta ao Remédio 1.

Seringa.

Mas por que não intimaram você?

Remédio 1.

Deve ser porque sou apenas o anticoncepcional dele.

Entra a moral da história segurando um pôster do Michael e um pôster do Papa.

Moral da história.

O Papa é Pop, o Pop é Papa. Deve ser por isso que falecem com a mesma finalidade.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 10h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fábulas de Diadema 7: Um Pedacinho dos U.S.A. Tal qual o peixe, o homem também é fisgado pela boca. E foi pensando nisso que os países lá de cima inventaram o que? O Hambúrguer. Quando relembramos nossas primeiras fazes da psicanálise, segundo Freud, metemos a boca em tudo e é assim que os EUA nos fazem aceitá-los de uma maneira amigável: fornecendo, do jeito mais delicioso possível, as maravilhas do pão e circo, ou seja, os hambúrgueres e suas deliciosas instalações. Você sabe, uma conquista não é feita só de charme, tem que ter aquele gostinho a mais, especial, e por que não dizer então que ele já vem no molho? Isso me lembra a história de um empresário, que, como muitos no Brasil, principalmente os da TV, começaram a vida como palhaço. Ronaldo era seu nome, se não me engano. E como nenhum palhaço é bobo, Ronaldo foi fazer faculdade de direito. Descobriu aí a sua vocação quando estudou a política romana e, junto com ela, todas as facilidades do nosso querido pão e circo. Com as regalias da faculdade Ronaldo conseguiu realizar um intercâmbio, e batata! As coisas começaram a mudar. Foi para os EUA e acabou conhecendo um homem muito importante, não era político, mas fazia parte de grandes seitas religiosas e cultos pagãos, seu nome era Wallt, ou o Ratão. Wallt era dono de um enorme parque de diversões na costa oeste dos EUA, adorava crianças, pois sabia que elas seriam ótimos consumidores dos seus produtos no futuro e passariam esta tradição das compras de geração em geração tal qual o dia de ação de graças. Walt ensinou a Ronaldo seus ofícios em troca de uma viagem a seu país de origem, sempre quis conhecer o Brasil e sua capital Rio de Janeiro. Conheceu Natal, ficou encantado com as maravilhas do Cristo Redentor, conheceu as mulatas de Salvador e ficou estupefato com a cidade de São Paulo. Pensou estar no paraíso, não por causa da beleza do Brasil, e sim pela quantidade de locais com nomes de santo. Então, antes de partir, virou-se para Ronaldo e disse: - Como você sabe, Ronaldo, sou parte do programa americano de alguma coisa. - Como assim “de alguma coisa”? - É um assunto tão confidencial que nem eu mesmo sei ao certo o que é, mas enfim. Tenho este parque que serve de fachada para estudos da CIA. - Estudos da CIA??? Pergunta Ronaldo surpreso. - Exatamente. Estamos agora trabalhando uma formula infalível de fisgar o mundo inteiro pela boca utilizando um artifício que se chama Hamburguer, conhece? - Nunca ouvi falar... responde Ronaldo. - Pois bem, é um alimento delicioso e fantástico que, a cada mordida deixa as pessoas mais encantadas com o meu país. – Diz Wallt, o rato, com cara de megalomaníaco. - Nossa, que coisa estranha Walt! - E eu ainda transferirei para as lojas o ritmo feliz e as canções lindas do meu parque, a gente descobriu que, quanto mais feliz forem, mais fáceis os seres humanos são dominados, dão opiniões a respeito de um único lado e fazem o que este lado deseja. E gostaria de chamar você para trabalhar com a gente. - Meu deus Walt, isso é um absurdo! Como você me chamar para fazer parte de eu patifar... - Você vai ganhar muito dinheiro, mas muito dinheiro mesmo my friend. - Onde eu assino? E foi assim que Ronaldo, o palhaço, trocou seu nome para Ronald e abriu a primeira loja de fast food no Brasil, injetando capital no bolso e lanche rápido no brasileiro. Moral da história. Fiquem espertos por que até o sertão virar mar, o Brasil já virou USA.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 16h51
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Como que você faz?

 

Uma vez a rima rica

Perguntou a rima pobre,

sem drama,

“Quanto que é o programa?”

Então a rima probre respondeu:

“Para você amigão,

é só cincão.”

Recebeu a grana

E meteram muito.

Dia e noite,

Noite e dia.

Na porta do estádio,

Na frente da padaria

Para 9 meses depois,

darem luz a minha poesia.



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h52
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fabulas de Diadema 6: O cérebro, o útero e a corrida espacial.

Tudo nessa vida é por causa de um “Oh my god” no final. Seja na igreja, em casa, no bordel ou no motel. No senado, Eles lá de cima buscam também um “Oh my god”, mas preferem falar isso diretamente na cara de Deus. A muito tempo atrás, ouvi um índio Pataxó, das tribos de Cabrobó, plantadores de Chuchu, contar uma história dos tempos do Brasil colônia, mais precisamente, mil novecentos e sessenta e guaraná de rolha, se não me engano. Esta história narrava as facetas de uma nobre senhora americana, mais conhecida como MRS. Nixon, ou seja, Moça Reforçadamente Sensual Nixon. Vocês podem procurar a foto dela Google e dizer “gente, este cara tá pirando, esta senhora é velha, meu Deus,o que ele está falando?” mas, digo humildemente, não é esta a MRS. Nixon, esta que está na web é sim a Pat Nixon, MRS. é uma obra um pouco maior, obra da CIA, tal qual a queda do WTC que possuía um alto/auto poder de atenção, um robô revolucionário, precursor do livro “Homem Bicentenário”. Pois bem, entre uma tragada e outra, nosso querido índio falava que MRS. Nixon vivia numa nobre mansão nos EUA, cercada por homens engravatados e que adoravam ouvir noticias internas em fones de ouvido. Freqüentavam ativamente cassinos, pois, assim como os russos, adoravam uma roleta. Amante de arte, e assídua compradora de móveis MRS. era o xodó do marido, que se embriagava com seu cheiro magnífico e adorava se deleitar em meio as suas carnes. Carnes americanas são sempre de ótima qualidade, inclusive as dos fast foods produzidas pela MRS. McDonalds, mas esta é outra história. Numa de suas compras MRS viu que sua amiga russa de infância possuíra uma obra de metal retorcido vindo diretamente do espaço “isso é coisa do super man” pensou primariamente, mas desistiu deste pensamento lembrando que o super-herói nunca existiu. Obrigou o marido fornecer-lhe tal material, mas este disse que não conseguiria dar-lhe coisa caída dos céus, e depois de efetivar alguns exercícios da dança hipnótica dos grandes lábios e dominar a cabeça do pobre Mr. conseguiu o que tanto queria, ou melhor, conseguiu o meio de atingir o seu objetivo. Pois é, foi ai criada a NASA. Muitos metais começaram a aparecer para completar a sua coleção, e com isso sua grande amiga russa, querendo sempre superar sua companheira, deixando a flor da pele o extinto feminino, também obrigara seu marido a planejar um método de conseguir obras de arte vindas diretamente do espaço. A história termina de modo trágico, quando ambas encontram-se em Aspem para ver qual possui o maior anel de urânio, porém, devido ao câncer, apenas os juízes da partida e as mãos decepadas das mulheres apareceram no local combinado.

Moral da história.

Quando as pernas se abrem, meu amigo, o show começa!

Ó my God!



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 16h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fabulas de Diadema 5: A maior franquia do Brasil

 

As coisas mudaram um pouco da idade média para cá, como exemplo os carros, agora é muito mais fácil chegar a algum lugar. O interessante é que tudo continua a mesma coisa, as mesmas crenças, as mesmas pessoas, as mesmas opiniões, a única coisa que mudou foi a tecnologia e com a ela, a velocidade.

Quanto mais rápido se tem alguma coisa, mas rápido ela se conclui.

E com a fé é a mesma coisa.

Uma vez vi um homem de barba, chamava Hedir Mâncebo se não me engano. Resolveu abrir a franquia mais rápida, com investimento mínimo e alta velocidade de retorno, o “McFé! - Entre e chegue mais perto do reino de Deus”.

Um negócio revolucionário, que dividia seus produtos em números para aumentar a velocidade no giro de público.

 

N° 1 - Seção descarrego.

N° 2 - Tá amarrado!

N° 3 - Milagres.

N° 4 - Pagamento de parcelas para terreno no céu.

N° 5 - Senha para o internet Fé Banking para Transferências de Capital Divino.

N° 6 - Café com o Bispo, um programa onde você pergunta, Deus responde.

N° 7 - Aleluia irmão sem crise! Solte o verbo.

N° 8 - Pagamento de direitos autorais para o uso do termo “Em nome de Jesus”

N° 9 - Meu time do coração vai para a segunda divisão, o que fazer?

 

E o melhor de tudo, não precisa de renda, quem quiser é só chegar e estar disposto a comprar uns produtinhos quando tiver vontade. Aqui você não paga para entrar, nem para sair. Mas se tiver a ambição de ser salvo, a instituição McFé possui pacotes sob medida: basta vestir um terno, colocar uma agenda em baixo do braço e sair gritando os nomes dos nossos produtos em praça pública! “Agente te ajuda e você ajuda a gente!”

 

Ainda bem que na idade média ainda não tinham descoberto o termo Franchising, mesmo porque nos EUA ainda viviam apenas índios, mas tudo é uma questão de tempo.

 

Moral da história:

 

Lutero deve se revirar no túmulo! Mas isso o pacote número 2 explica porque não acontece.

 



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


O Fim do mundo. 
 
Agarrado pela pedra dos escombros do segundo ou terceiro quarteirão, viu que não sabia mais qual era o segundo ou terceiro quarteirão. Olhou a mão de um ou outro cara entre as rochas de concreto e sentiu um cheiro no ar. Olhou para o lado e não entendeu muito bem. Encontrou seu amigo de infância procurando a filha pela rua também atordoado:
- Pô cara, você viu meu beicinho?
- Sua filha?
- É.
- Pô cara, não vi... Eu tava ali dentro do banco, pagando conta.
- É... eu tava com ela ali no parque.
 - Pô cara, onde a gente ta?
- Que?
Quando falou isso achou estranha a reação da rua, que não parecia muito mais uma rua, mas, na realidade, parecia um pouco com um ator de cinema que ele não lembrava muito bem quem era, ou apenas parecia. Mais nada...
Olhou para aquilo que retribuiu o olhar com uma piscada e pediu para que o seguisse. Na realidade não disse nada, os dois nem sabiam direito se realmente ele tinha dito ou feito alguma coisa, mas o seguiram... 
Entraram numa loja de lingeries que ainda estava intacta, só sobraram em volta um pouco de pedra e concreto esverdeado. Aquilo os levou ao cume máximo das montanhas que reluziam ao longe, tão longe que quase não se via, mas se via, principalmente se você estivesse de binóculos, ai sim via... certeza...
E os muros se levantaram falando aos ouvidos da rua, que no momento parecia o Fredy Mercury, interessante... ele fazia o Moonwalker,  que as coisas iam de mal a pior...
- Haja visto o estado das coisas, disse um.
- Haja visto...
Depois de uma longa conversa o muro chegou num consenso.
E a rua, agora avenida, mais crescida e adulta disse:
- Infelizmente meuxxx queriduxxx...
Agora o ator que ele não se lembrava quem era usava um terno e um chapéu meio malandro.
... acho que voceix se fuderam?
- Por que?
- Voceix não viram?
- O que?
- Não viram meismo, meux amigux?
- Não...
- O fim do mundo? Não viram porra
?



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fábula de Diadema 4: Um conto de Natal.

No Natal a cidade se enfeita.

Luzes piscam, mostrando ao asfalto que a época mais esperada do ano está chegando. Tudo brilha, a cidade se ilumina, os corações ficam mais próximos. As lâmpadas são a única anunciação não sonora de algo está chegando a todo vapor, e este algo é o Natal. As lâmpadas de uma árvore são as mais lembradas, vistosas, bonitas e adoradas, pois ficam fora dos muros e das grades que cercam as nossas belas casas. Oh, quanta formosura! Casas belas, lâmpadas e eletricidade gasta a toa. Se o espírito do natal fosse verdadeiro nós pouparíamos energia e não gastaríamos mais. Mas do que não é feito o nosso espírito natalino a não ser de gastos adicionais? Enfim... um lapso de poder... E, como tudo no Natal toma vida, até a bondade toma vida, vocês sabiam que, na realidade, graças à eletricidade gasta e ao trabalho dos vizinhos, pedreiros, serventes de escola, marceneiros desempregados, ajudantes etc. as lâmpadas, todo os natais, também ganham vida? Pois é... Vida... No natal... ... as lâmpadas acendem, e conversam umas com as outras, falando de tudo que o natal é para cada uma... Agora imaginem-se aproximando bem devagarzinho de uma grande seqüência de lâmpadas enroladas numa linda arvore, bem próxima a guia da rua, para conseguirmos escutar o que cada uma fala. Imaginem...

1-

Conversa entre duas lâmpadas.

- Meniiina, você viu que a lâmpada do 14 engravidou?

- Qual a verde? Tava na hora já também, né?

- Não, não, a azul esmeralda!

-Mentiiira, a mais nova? Você só pode tá brincando comigo!!!

- Pois é, foi com o laranja turquesa do 15°, acredita...?

- O que fica em em cima dela?

- Exato!!! - A eu sabia já!

- Nossa esse mundo ta mesmo perdido!

2-

Conversa entre doía lâmpados.

- Pô cara, vou falar pro filho do cara do 34 parar de tocar bateria... tá foda...

- É acho melhor a gente falar isso no conselho com o síndico na terça, o que você acha?

- Acho bom... acho bom... Não consigo dormir a tarde.

- Mas cara, você vai privar um menino do seu sonho? E o futuro dele?

- Você acha que ele pode se tornar aquelas lâmpadas sofisticadas que tocam aquela música de natal irritante?

- É! - Então é melhor parar agora mesmo!

3-

Conversa entre duas lampadinhas adolescentes.

-É impressão minha ou o azuladinho do 48 tá que tá atrás de você, hein?

- Ai para sua boba!

- Verdade... você viu como ele ta mais azul este ano?

- Ai eu vi!!! (gritinhos e movimentos com as mãos parecendo que prenderam os dedos na porta do carro)

4-

Conversa entre duas lampadinhas crianças.

- Meu, você viu o Max Stell que o cara do 13 comprou?

- Eu vi cara, demais!

- De maaaaissss!

- Vou pedir um pro Vagalume Noel!

- Eu também!!!

- Yeeessss!!!

Moral da História:

5 gravatas conversam

Gravata 1 fala - Ai você viu as emenda que o gravata borboleta fez?

Gravata 2 fala - Nossa achei um absurdo...

Gravata 3 fala - Ai também...

Gravata 4 fala - Também...

Gravata 5 fala - Tá legal, vamos agora o mais importante: caviar russo ou chileno.

Todos juntos - Russo, né?



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 15h46
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Fábulas de Diadema 3: Um conto infantil.

Papai Noel nasceu no pólo norte a 1.500 anos atrás, isso mesmo, 500 anos depois do nascimento de cristo.

Impressionante como o universo conspira de 500 em 500 anos, não é? 1500 anos depois a maior conspiração de todas aconteceu: o descobrimento do Brasil.

Mas enfim. Papai Noel era filho de fazendeiro, um homem muito rico que criava Cervos. Além de uma ótima carne, os cervos são resistentes ao frio do Ártico e são muito fáceis de ser alimentados, além, é claro, de servirem de transporte, vestimenta, consolo e boneca inflável (caro leitor, se for encabeçar o sono de seu filho com este texto, por favor, pule esta última parte).

Depois de passar sua adolescência, namorar, casar e possuir filhos, Papai Noel, que foi conhecido também como Bebê Noel, Menino Noel, Adolescentes Noel, Aborrecente Noel, Jovem-cheio-de-espinhas-na-cara-noel e, enfim, depois de sua mulher dar a luz a um menino, Papai Noel, resolveu passear pelo mundo e conhecer tudo que o "além do oceano" poderia oferecer.

Saiu de viagem e ficou 2 anos fora, conhecendo lugares que vão do Yapoque ao Chauí do mundo. Conheceu tudo. Todas as igualdades da Terra e suas desigualdades. Começou a conhecer as guerras, os males, as DSTs num posto de saúde, a Malária, fez exame para ver se havia pegado AIDS, conheceu uma Porto-Riquenha, foi assaltado, correu pelado na praça da República, deu de comer a um pobre. Conheceu orfanatos. Foi visto no Bahamas.
Fez tudo isso.

Voltou para casa, para rever o filho e a esposa que tanto amava. Vivia escrevendo para eles e que diziam estar tudo bem. Só sua esposa que lembrava e deslembrava seus momentos íntimos.

Porém, tudo havia sido mudado. Seu pai estava doente e cria de cervos estava acabando. Ninguém cuidava mais da fazenda. A miséria estava dominando seu povo.

Neste momento achou que tudo estava perdido.

Num sonho, viu-se caindo, como aqueles sonhos normais, que todo mundo sonha, mas de repente viu-se voando.
Daí teve uma idéia: porque não fazer como aqueles caras estranhos, vestindo uma cueca por cima da calça, que vira no Afeganistão, e começar a distribuir comida aos pobres da sua terra? Obviamente começando pela sua família.

Vestiu seu manto verde e colocou um gorro que comprou dos Maias.

Pegou seus servos mais fortes e amarrou-os naquele trenó velho que seu pai havia dado quando completara 18 anos.
Começou a correr e distribuir sua carne, sempre ensinando aos seus convivas que era necessário conservar a carne e dividi-la uns com os outros.

Naquele tempo ainda não havia cobiça naquele condado, ao contrário do resto do mundo.

Quando Papai Noel, agora já Vovô, viu que não precisava mais avisar ninguém do que fazer com sua carne, descansou em paz.

Sua cerimônia foi linda, foi enterrado como um verdadeiro espírito de bondade. Discursos lágrimas, sorrisos e flores foram despejadas em seu leito. Até que, enquanto assistia sua passagem do lado de fora, uma fada com asas de pássaro perguntou a ele.

- Papai Noel....
- O que?
- Você pode seguir e conhecer o outro lado da vida ou prefere continuar na Terra e virar o espírito desta coisa maravilhosa que você está construindo?

- Se eu quiser seguir, este mundo que criei vai morrer?
- Essa é a lei, não? Se você não cuida, uma hora morre.

E na maior das boas intenções, papai Noel resolveu abdicar da sua vida "do outro lado" e fazer o espírito Natalino.

Moral da História:

Papai Noel acabou ficando corrompido pelo mundo inteiro, fez negócios com os outros Deuses da Terra e inventou o capitalismo.

 



Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 11h35
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Sin City Brasileiro.
“Parece que seu cheiro de bacalhau ainda permanece em meus dedos.”
“Quando chego no Capão Redondo lembro da nossa infância nos becos do morro.”
“Ninguém mais, fora eu, sabia os prazeres que aquela boca fazia quando ficava sem dentadura”
“E agora está morta, esquartejada nesta cama maltrapilha cheia de bolor, suor e saudade.”
“Naquela tarde esperava seu telefonema, mas o único que recebi foi do necrotério. Acharam sua carcaça, nova como veludo, espalhada por todo seu apartamento.”
“Vou descobrir quem fez isso com você Craudete, nem que seja a última coisa que eu faça na vida.”
“Não que a vida valha muito, principalmente quando se vive no subúrbio. Aqui, a vida acaba valendo só alguns papelotes de cocaína.”
“Uma coisa tão porca quanto as ruas. Tão suína quanto aquela tapioca requentada que vendem na praça do centro.”
“Começo a perguntar para alguns mendigos se sabem da vida que Claudete estava levando...”
“Descubro que começou a penhorar a dentadura para cobrir gastos com drogas.”
“Droga, o pior é saber que muito mais pessoas sabem o que aquelas gengivas puderosas sabiam fazer”
“Mas eu ti amu Craudete, e vou descobrir quem talhou sua corcunda com aquela faca Tramontina de cortar pão. Vou descobrir.”
“Pergunto para alguns aviõezinhos que me pedem pirulitos em troca de informações. Sabe como é, criança que tem muita droga na mão e no nariz, sente falta de um doce de vez em quando.”
“Me dizem que sempre a viam sair de casa com o dono do açougue ‘Miúdos a preços miúdos’ e vou até lá interrogá-lo.”
“Vejo um homem gordo e careca com um avental manchado de sangue e uma cara de quem comeu coisa estragada a vida toda. A mesma cara que fazia quando saia com Craudate. Mas mesmo assim eu a amava.”
“Ele segurava uma faca de pão, disse que era melhor para cortar carne. Que este tipo de faca não só corta como tambem rasga a carne e espalha seu sangue. Disse isso com sangue nos olhos, por que havia acabado de cortar um boi.”
“Juntei A+B nesta pergunta e joguei sua cabeça dentro do pote de chouriço, para que morresse afogado dentro do sangue que tanto amava.”
“Mas infelizmente, Craudineti, irmã gêmea de Craudeti, me apunhalou pelas costas, soltei a cabeça do gordo e cai no chão estatelado.”
“Enquanto apagava e começava a ver de novo aquele lindo paraíso que era o meu sertão da Bahia quando pequeno , ouvia uma voz dizendo ao fundo.”
- Fui eu quem matou aquela rapariga fi duma ronquifuça, oxi!
- Queria tirá meu macho de mim, só pq num tinha metadi dus denti e eu tenho todos direitim.




Escrito por Filipe Beneli Lazarini às 14h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis